Economia & Negócios

Greve na Unesp causa queda de 99% no comércio na região do câmpus

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A greve deflagrada, na última semana, por alunos, funcionários e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vem afetando as finanças dos comerciantes instalados na região do câmpus de Bauru. Eles calculam que o movimento de clientes em seus estabelecimentos caiu 99% desde que as aulas e atividades foram suspensas por tempo indeterminado.

A comerciante Aparecida Salles Dionetti, proprietária de uma lanchonete localizada em frente ao câmpus, revela que deixará de abrir o estabelecimento a partir de hoje. “Acho correto o pessoal que está em greve lutar por seus direitos, mas diante disso não me resta outra alternativa a não ser fechar as portas, porque eu dependo principalmente dos alunos”, comenta.

Segundo ela, os seis funcionários da lanchonete receberão folga até que as aulas sejam retomadas. “Se o movimento de greve persistir durante muito tempo, terei que demiti-los”, confessa.

Além de Dionetti, os cerca de dez proprietários de trailers e carrinhos de lanches que costumam trabalhar em frente ao câmpus já deixaram o local.

O gerente do restaurante que fica dentro da Unesp, Adelone Cândido de Souza, afirma que o estabelecimento parou de servir 450 refeições diárias desde que a greve teve início. “Estamos atendendo apenas cerca de 80 funcionários que desempenham serviços essenciais e que continuam trabalhando”, relata.

Ele explica que o principal prejuízo, porém, está concentrado na lanchonete que funciona ao lado do restaurante. “Ela fica aberta das 7h às 22h e é responsável pela maior parte do nosso faturamento, mas agora está registrando um movimento insignificante”, declara.

Sem prazo

Os professores e funcionários da Unesp entraram em greve na última sexta-feira, após o fracasso na segunda rodada de negociações salariais com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

Enquanto os servidores pedem 16% de reajuste, o conselho afirma que não é possível conceder nenhum percentual de aumento este ano, sob alegação de que já há um alto nível de comprometimento com a folha de pagamento das universidades.

O diretor da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp), Gilberto Magalhães, conta que um novo encontro entre o Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de professores e funcionários da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - está programado para sexta-feira. Até lá, segundo ele, não há nenhuma possibilidade das aulas serem retomadas.

A Adunesp também agendou para amanhã, às 14h, uma assembléia que irá definir as próximas atividades a serem seguidas pelo movimento.

Já os alunos das faculdades de Engenharia e de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) decidiram pela greve na última quinta-feira, somando-se aos estudantes da Faculdade de Ciências, que já estavam parados.

Os alunos pedem a contratação de professores em regime integral de dedicação, melhorias na infra-estrutura dos laboratórios, a volta das bolsas de estudo para projetos de extensão comunitária e instalações adequadas para o curso de educação física.

Ontem à noite, os estudantes voltaram a se reunir em assembléia para organizar os próximos passos do movimento.

No câmpus da USP em Bauru, as atividades não foram suspensas até o momento. Uma assembléia que será realizada amanhã poderá, no entanto, determinar a deflagração da greve na universidade.

Comentários

Comentários