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Moradias de aluguéis inóspitos


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Os aluguéis prediais, cada vez mais exorbitantes, cobrados nas cidades, vêm provocando uma corrida vertiginosa na proliferação de cortiços. E quando se mencionam cidades, não se pretende referir apenas às pequenas, nas quais vai o problema se desenvolvendo em dimensões sempre crescentes, notoriamente elásticas. Registram-se em todo o País - revelam os censos decenais - os quais não escondem que a anomalia é mais evidente nos grandes centros, onde novos cortiços despontam diariamente, podendo-se dizer, sem qualquer exagero, que da noite para o dia surgem nos cenários mais habitações coletivas que individuais, térreas e aéreas. São sub-habitações cujos moradores, sem recursos para morar isoladamente, não têm outra alternativa que viver nas tais, onde, por isso e outras coisas, vão repetindo expressamente o chamado fenômeno favela.

Em São Paulo a população dos cortiços cresce, a cada ano que passa, cerca de 1,5% sobre o total de habitantes da metrópole. São, então, 95 mil habitantes novos no setor, os quais, em casas de parede-meia, divididas entre os grupos, vão assistindo ao rápido transcorrer de dias, meses e anos sem a menor possibilidade de dar algum salto menos angustiante nas suas vidas, notadamente por não terem à sua frente imprescindíveis e sucessivos impulsos econômicos, provenientes de empregos bafejados por salários condizentes com suas indesmentíveis necessidades e merecimentos. Que é uma restrição social arraigadamente penosa não se tem a menor dúvida, exatamente como dúvida ninguém no país tem de que, infelizmente, não será ela solucionada plenamente enquanto não dispuser a nação de uma política habitacional de absoluto caráter popular, rigidamente consentânea, que vá em socorro dos indubitavelmente carentes, cujas famílias, não podendo morar independentemente são forçadas a fazê-lo coletivamente, transformando diminutos e tristonhos cortiços em sua moradia permanente. Cuidando, como carinhosamente cuidam, de problemas relacionados com as outras categorias sociais, os poderes públicos, legislativos e executivos, têm o dever de voltar seus cuidados para essa área também, facilitando-a naquilo que mais necessitam para viver melhor. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“O amor é a única força capaz de transformar o mundo, porque transforma o coração do homem”. Doc. Medellin.

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