Os servidores públicos municipais de Bauru vão se reunir na tarde de hoje para discutir a possibilidade de deflagrar movimento grevista em protesto contra os baixos salários da categoria. No mês passado, a administração aplicou 8% de recomposição salarial, mas a reivindicação da classe era de 78%, índice - segundo apurou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) - relativo às perdas no período do governo Nilson Costa (PTB).
A assembléia está agendada para começar às 17h30. “Vamos continuar discutindo a campanha salarial de 2004. A possibilidade de deflagração de uma greve não está descartada, tanto é que já tornamos público o assunto, através de publicação no jornal”, explica a dirigente sindical Idelma Corral.
Ela comenta que a categoria está revoltada com a administração após projeto de lei de autoria do prefeito Nilson Costa ser aprovado na Câmara Municipal concedendo aumento na gratificação salarial dos procuradores da prefeitura, que saltou de 30% para 100%.
“Essa questão provocou um desconforto. A categoria entende que o prefeito favoreceu os procuradores enquanto que a grande maioria ficou com os 8% de reposição salarial”, observa.
A sindicalista lembra que o piso da categoria é um dos mais baixos do Estado, se comparado com outros municípios do mesmo porte de Bauru. “O piso salarial era R$ 280,00 e agora foi para R$ 300,00. O vale-compra era de R$ 120,00 e foi para R$ 132,00. Os valores são baixíssimos”, reforça.
Na semana passada, os dirigentes do Sinserm, em reunião com o chefe de Gabinete da prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, sugeriu que o valor de R$ 409 mil por mês que seria dispensado para pagamento da dívida com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) - cancelado após intervenção do Ministério Público (MP) - fosse “rateado” nos salários dos servidores, o que implicaria numa reposição de 6%. A proposta, porém, foi rejeitada pela administração.
A possibilidade de instalação de um movimento grevista por parte dos servidores não sensibiliza o comando do Palácio das Cerejeiras. Para o chefe de Gabinete, o prefeito Nilson Costa fez a concessão de reajuste salarial que “era possível”.
“Não há como alterar esse quadro”, garante Marsola. Segundo ele, o índice de 8% aplicado no salário do funcionalismo é um dos maiores no setor. “Em Jaú, os servidores tiveram 5,6% de reajuste”, compara.
Sobre a gratificação concedida aos procuradores, o chefe de Gabinete explica que trata-se de caso específico. “Outras categorias internas da prefeitura também encaminharam reivindicações semelhantes e estamos estudando”, finaliza.