Economia & Negócios

Preço do álcool dispara 32% em Bauru

Patrícia Zamboni (com Agência Folha)
| Tempo de leitura: 5 min

Proprietários de veículos movidos a álcool estão assustados. Em um dia, o preço do litro do combustível em Bauru saltou de uma média de R$ 0,70 para R$ 0,93 - alta de 32,85%. As justificativas do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) são o fim dos preços promocionais e as chuvas, que estariam atrapalhando a colheita da cana-de-açúcar e gerando impactos junto às distribuidoras de combustível. A gasolina também subiu.

De acordo com o presidente do Sincopetro, Sebastião Homero Gomes, mesmo com a alta a população de Bauru “continua sendo privilegiada, porque o preço do álcool ainda está abaixo da média do mercado e mais barato do que em várias outras cidades do Estado”, afirma. Segundo ele, que estava em Araraquara ontem, lá o litro do álcool está girando em torno de R$ 0,95.

“Aquele preço médio de R$ 0,70 que estava antes era promocional. Aliás, uma promoção absurda. Hoje, o preço de custo do álcool varia de R$ 0,70 a R$ 0,78, e o da gasolina, de R$ 1,70 a R$ 1,80. Não há como os postos absorverem esses aumentos. Há 15 dias o preço do ácool não pára de subir. Os usineiros alegam que as chuvas estão atrapalhando a colheita da safra de cana”, diz Homero.

No site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), dados da última pesquisa semanal de preços lançados ontem mostram que, de 16 a 22 deste mês, o valor médio do álcool em Bauru era de R$ 0,682. A coleta de preços foi feita em 93 postos de combustíveis da cidade, segundo consta no site.

No caso da gasolina, a mesma pesquisa, feita em 96 estabelecimentos, mostra valor médio de R$ 1,783 nas bombas naquele período. Ontem, na maioria dos postos da cidade o litro da gasolina comum girava em torno de R$ 1,86.

O aumento da gasolina também está relacionado à alta do álcool. Na composição da chamada gasolina C comercializada pelos postos tem 75% do combustível puro e 25% de álcool anidro. Na opinião de Homero, se o mau tempo persistir nos próximos dias o preço do litro do álcool pode ultrapassar a marca de R$ 1,00 na semana que vem.

O empresário Edvaldo Tuschi, dono de postos em Bauru, também faz previsões negativas. “Desde segunda-feira eu não acho álcool para comprar nas distribuidoras. Além de ter pouco, as companhias estão aumentando o preço e justificando com o problema da colheita (de cana). Em um dia, o preço de custo em uma distribuidora que fornece álcool para mim subiu de R$ 0,57 para R$ 0,76. Se chover por mais 15 dias, pode faltar (álcool).”

Ontem, a BR Distribuidora - subsidiária da Petrobras - e a Shell anunciaram aumento de 1,5%, em média, no preço da gasolina vendida em seus postos. O reajuste nada teria a ver com a alta do preço do petróleo no mercado, e sim com o aumento dos preços do álcool produzido na região Sudeste. A alta não inclui as regiões Norte e Nordeste do País.

Segundo a BR, o preço do álcool vai subir em torno de 12% em cidades como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Em São Paulo, devido ao sistema tributário, o reajuste pode alcançar 17% - bem abaixo da alta verificada em Bauru, de 32,85%. A BR tem a maior participação no mercado brasileiro de distribuição de combustíveis, de 32%.

Em contato com a reportagem ontem, dois taxistas de Bauru se diziam indignados com a alta do álcool. “Um aumento de preço tão grande assim pesa demais no bolso. A gente vai passar a ganhar menos, porque subiu o álcool mas não vai ter aumento da tarifa do táxi. Eu gasto uma média de 15 litros de combustível por dia. Para compensar o aumento, eu teria que arrumar muito mais serviço”, reclama Josino Fernandes Costa.

O colega Ubirajara Batara diz que viaja sempre e que também terá prejuízos. “Eu passei hoje (ontem) por Marília e Jaú e lá o preço do álcool continua o mesmo da semana passada. Não entendo por que em Bauru subiu tanto de uma vez só.”

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Colheita suspensa

Na região de Jaú, as chuvas dos últimos dias provocaram a interrupção de cerca de 90% dos trabalhos de colheita nas lavouras de cana-de-açúcar. A paralisação já dura cerca de duas semanas, de acordo com Francisco Paulo Brandão, presidente da Associação dos Produtores de Cana de Jaú e Região (Associcana).

“Com esse tempo, não é possível queimar cana, nem cortá-la, está tudo parado”, diz Brandão, lembrando que a safra teve início há poucos dias.

Apesar de admitir que as chuvas estão atrasando a colheita, o presidente da Associcana não relaciona esse problema ao aumento do álcool. “Isso não está ocorrendo em virtude desse atraso, já que o álcool que está sendo vendido é da safra passada”, diz. Na avaliação de Brandão, as usinas corrigiram os valores porque o produto estaria sendo comercializado a um preço “muito baixo”. “Realmente havia uma defasagem de preços. Isso nem foi um aumento, mas uma correção”, completa.

Brandão assegura que, por enquanto, esses dias de interrupção da produção poderão ser facilmente recuperados pelos usineiros. O representante da Associcana afirma que o único prejuízo imediato dos produtores têm sido com o pagamento da mão-de-obra. “O prejuízo é que a mão-de-obra está parada e ganhando”, diz ele, lembrando que o excesso de chuva nesse período do ano surpreendeu o setor.

Somente na região de Jaú, cerca de 5 mil trabalhadores são empregados diretamente no corte de cana-de-açúcar. (Michelle Roxo)

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