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Dia da Mata Atlântica


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Ontem foi celebrado o “Dia da Mata Atlântica”. Mas quais são as esperanças para o ecossistema que possui a maior biodiversidade em todo o mundo e que foi destruído a ponto de restar apenas 7% de sua área original? A lei da Mata Atlântica foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora só depende do Senado onde, incrivelmente, estão ocorrendo dificuldades em virtude de alguns grupos que ainda pensam de forma antiquada. Infelizmente, ainda há quem diga que a preservação da floresta compromete o desenvolvimento econômico. Ora, se assim fosse, com a destruição de 93% do ecossistema era para estarmos com as dificuldades econômicas superadas... O que não é bem o caso.

Apesar da visão equivocada de alguns políticos, existem avanços impulsionados por segmentos do governo e da sociedade. Semana passada, o Ibama promoveu, no Rio de Janeiro, seminário sobre as Matas Ciliares, a vegetação que obrigatoriamente deve existir ao longo de rios e córregos. Após quatro dias de palestras e debates foram estabelecidas propostas para a recuperação das matas ciliares do Estado do Rio de Janeiro, mas que são aplicáveis, quase sempre, à Mata Atlântica como um todo. Uma das mais interessantes e polêmicas foi a que possibilita a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAF) sustentáveis e diversificados nas áreas de preservação permanente (APP) das margens dos rios como estratégia de restauração ambiental, no caso de áreas já devastadas. Os SAF seriam uma forma de incentivar produtores rurais e aumentar sua área de floresta e, ao mesmo tempo, diversificar a produção agrícola e florestal. Hoje, de acordo com a legislação, as APP somente podem ser utilizadas para recuperação florestal estritamente ecológica, sem nenhum tipo de aproveitamento econômico.

O seminário foi um dos frutos de uma nova visão que permeia a fértil aliança entre o Ceivap - o comitê para a integração da bacia do rio Paraíba do Sul - a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e a Fundação SOS Mata Atlântica. A parceria procura fortalecer a profunda relação existente entre águas e florestas no contexto na gestão da bacia do rio Paraíba. Mas o esforço ainda encontra algumas resistências, sobretudo quando se fala na remuneração dos serviços ambientais prestados por aqueles que possuem florestas e são, portanto, produtores de água. A Mata Atlântica e as montanhas são as provedoras da água que abastece as cidades. Para que essas fontes de vida não sequem é preciso aplicar mecanismos de conservação do ambiente e apoio às pessoas que vivem nessas áreas.

O autor, Luis Felipe Cesar, é coordenador da ONG Crescente Fértil, auditor ambiental e especialista em Gestão Ambiental de Sistemas Florestais.

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