Bairros

Agasalhos chegam após o frio

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Nem é preciso ter memória para lembrar que todos os anos no mês de maio as temperaturas caem. Bastaria uma rápida consulta aos institutos meteorológicos. Mas até agora, as famílias pobres de Bauru não receberam sequer uma manta da campanha do agasalho iniciada em abril pelo poder público municipal. A notícia é ainda pior: a distribuição também não foi antecipada porque só 6% da meta de 50 mil peças foi alcançada.

“Não acho que a campanha tenha atrasado. O clima de inverno que se antecipou. Não podíamos prever uma queda de temperatura tão brusca. Quando não está frio, as pessoas não doam. Juntando o que foi coletado nas casas e nos circulares, angariamos 2.718 peças (sem calcular os postos fixos)”, explica a secretária municipal do Bem-Estar Social, Rosa Maria Otuka Barbosa Pereira.

No entanto, no mesmo período do ano passado, o total de roupas arrecadas chegava a 28 mil. “Temos 20 mil pessoas para atender. Faço um apelo para que as pessoas contribuam. Vamos tentar firmar outra parceria para fazer nova coleta nos domicílios”, informa.

Como o problema poderia ser ter sido antecipado caso a campanha estivesse nas ruas mais cedo, Pereira não descarta a possibilidade de iniciar as arrecadações de 2005 em março. No entanto, para o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, uma experiência realizada em 1996 mostra que a iniciativa não é eficaz.

“As pessoas começam a doar às vésperas do frio. Se você estende muito (a campanha) ela fica desacreditada e começam a ser realizadas muitas campanhas paralelas. O ideal é fazer uma só”, defende.

Na opinião de Brito, a quantidade restrita de pessoas disponíveis para realizar o trabalho de coleta nos domicílios prejudica a campanha. No entanto, para colocar 500 voluntários nas ruas como acontecia anteriormente, o poder público teria de dispensar R$ 50 mil com alimentação e com manutenção de cerca de 45 ônibus e 25 veículos de apoio.

“Além disso, as famílias estão doando menos. Por causa da situação econômica (de arrocho), as pessoas usam mais as roupas. Além disso, a cidade está cheia de brechós. Tem ainda o crescimento das áreas de pobreza”, pondera.

De todas elas, as que receberão prioritariamente as roupas angariadas na campanha deste ano são Jardim Manchester, Jardim Maria Célia e Jardim Yolanda. Segundo Pereira, a distribuição começa na próxima terça-feira, mas as contribuições podem ser feitas em postos fixos até o final de julho.

“O Parque Real juntamente com a Pousada da Esperança 1 e 2 e a Vila São Paulo foram atendidos pela campanha da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL, que arrecadou cerca de 20 mil peças de roupa)”, explica a responsável da Sebes, sem precisar quando os outros bairros serão atendidos.

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Previsão

A partir de hoje ao meio-dia a temperatura deve subir levemente. A mínima prevista para este sábado ficará entre 10 e 12 graus. A mínima ontem foi de 7,9 graus.

No entanto, a aproximação de uma frente fria trará nebulosidade, com chuvas isoladas, prevê para hoje a amanhã o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Para segunda e terça, não há previsão de chuvas e a temperatura permanecerá estável.

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