Se você ainda não conhece os “irmãos Willys”, famosos em Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru) e fora dela pela paixão por um dos automóveis de maior sucesso no País durante as décadas de 60 e 70 - os Aero-Willys -, terá a partir de agora mais um motivo para visitar a cidade. Isso porque André Luis Silva e Paulo Eduardo Silva adquiriram mais um veículo da marca venerada por ambos para integrar a “família”.
Trata-se de um modelo 1968 com motor seis cilindros de 2600 cilindradas que foi especialmente equipado para ficar com a “cara” dos irmãos, mecânicos há vários anos e donos de outros dois “Aerões”: um preto 1968 e um roxo 1964. “É mais um inquilino beberrão para a família”, brinca André, referindo-se ao alto consumo dos propulsores a álcool instalados neles.
O carro é quase inteiramente original. As únicas exceções são a cor da carroceria e dos estofamentos - a azul deu lugar a uma exótica amarela - e o motor, que era movido a gasolina, foi transformado a álcool.
No restante, lá estão os vários componentes da época, como freios, suspensões, câmbio quatro marchas, rodas e calotas, bancos inteiriços, painel, manual do proprietário e dois charmosos detalhes: uma bolsinha porta-trecos e um cinzeiro, ambos instalados nas “costas” do banco dianteiro. “Ele estava impecável quando compramos. Só o motor não estava legal”, lembra Paulo Eduardo.
Ele revela, ainda, que o automóvel é objeto de desejo antigo. “Desde quando tinha 15 anos já estava de olho nesse Aero-Willys, que era de um amigo”, afirma. E, para não fugir à regra, quando o adquiriram não perderam tempo em restaurá-lo, uma das marcas registradas dos irmãos.
“Assim que compramos os dois primeiros modelos começamos a equipá-los e não paramos mais, pois é algo que nos dá prazer. Com o terceiro, não poderia ter sido diferente”, ressalta. “O mais gostoso é fazer isso e ver o resultado do esforço, que rende carros visualmente bonitos. Por isso, muitos já quiseram comprá-los, mas não vendemos. A gente pega amor”, acrescenta André.
E, como eles pretendem manter o Aero-Willys “amarelão” o mais original possível, os planos de “tuning” limitam-se apenas ao preto e ao roxo. “Queremos colocar direção hidráulica, ar-condicionado e freio a disco nas quatro rodas”, revela Paulo Eduardo.
Como tudo começou
Mesmo já conhecidos, não só na cidade-natal mas também em outras do Estado, pela adoração pelos Aero-Willys, poucos sabem que os irmãos tiveram uma fonte de inspiração natural para gostar dos “carrinhos”: o pai, José Maria Silva Neto. “Foi ele que iniciou a saga”, brinca André. “Sempre fui apaixonado por estes veículos”, destaca o progenitor.
Silva Neto conta que o conforto e o espaço eram - e ainda são - as qualidades que mais admira no Aero-Willys. “Nele cabem sete ou oito pessoas com folga”, garante. No entanto, como quase nada é perfeito, há um componente que ele não gosta: o motor. “Os originais do modelo são muito frouxos e nunca fui com a cara deles. São bons para quem não tem pressa”, afirma.
Foi por essa razão que, mesmo dizendo-se um inimigo das adaptações, Silva Neto concordou com os filhos em equipar outros motores nos “Aerões”. Mas tal detalhe não é suficiente para diminuir seu carinho pelos carros, que já teve inúmeros. “Foi um monte. Não me lembro exatamente”, confessa.
Entretanto, Silva Neto não esquece de fatos pitorescos que passou com os Aero-Willys. Um deles é o de ter feito um verdadeiro “negócio da China” com um pedreiro de Piratininga. “Ele tinha um 1967 que fundiu o motor. Dei uma bicicleta em troco do Aero e fiquei com o carro”, recorda. Outro fato lembrado foi a potência do farol de milha de um modelo. “Era de cor amarela que fazia até caminhoneiro sair da frente.”
Saudosismo à parte, atualmente André e Paulo Eduardo colhem os frutos plantados pelo pai. Prova disso é que a fama de “irmãos Willys” já lhe renderam até convites para participar de casamentos. “Muitas noivas queriam ser levadas à igreja nos Aeros”, conclui Paulo Eduardo.