Geral

Igreja prioriza jovens, formação e social

Por Aline Mendes | Especial para o Jornal da Cidade
| Tempo de leitura: 6 min

A eficácia missionária, a formação cristã, a juventude e a promoção humana e social: essas são as principais frentes da ação pastoral na Diocese de Bauru. Elas estão organizadas em quatros programas e unidas no 7º Plano Diocesano de Pastoral, sob o lema “Igreja em estado permanente de missão”.

Esse trabalho, que atinge tanto a vida interna da Igreja como sua integração com a comunidade, está baseado nas Novas Diretrizes Gerais da Ação Evagelizadora da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e na caminhada da própria Diocese.

O 7.º Plano é, desde março de 2001, a continuidade do Projeto Comunhão e Participação - Rumo ao Novo Milênio (Procompar), que em 1997 apresentou suas propostas segundo estudos científicos da realidade sociocultural e religiosa da Diocese de Bauru.

O Procompar ou 6º Plano, que foi comandado pelo então bispo diocesano Dom Aloysio José Leal Penna fez cinco pesquisas que atingiram 36 mil pessoas e produziram um milhão de dados. Na 16ª Assembléia Diocesana, realizada em novembro de 2003, sacerdotes, religiosos, lideranças leigas e membros dos mais diversos segmentos da Diocese se reuniram com o objetivo de atualizar e aperfeiçoar o conteúdo do 7º Plano, para torná-lo mais compreensível e viável, concretizando cada vez mais os projetos, segundo exortação de dom Luiz Antônio Guedes, atual bispo de Bauru.

A meta é desenvolver as atividades até 2007. Dom Luiz Antônio, que está à frente dos trabalhos, é auxiliado pelo coordenador diocesano de pastoral, padre Claudemir Moreira. Cada um dos programas possui um responsável e uma equipe, que se encontra mensalmente e é formada por pessoas ligadas às pastorais, movimentos, associações e serviços da Igreja Católica.

O padre Claudemir explica que os principais objetivos também são desafios: viver a comunhão entre os membros e setores da Diocese e ser uma Igreja missionária, que vai ao encontro das pessoas e das realidades, anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo. Conhecer cada um dos programas é visualizar como tais expectativas já estão sendo atingidas.

O primeiro, “Descentralização para a eficácia missionária”, trata da organização interna da Igreja. Possui quatro itens que abordam: a capacidade missionária da Região Pastoral (agrupamento de paróquias vizinhas); as pequenas comunidades; a dinamização da paróquia e a comunhão entre suas pastorais e o projeto das paróquias-irmãs, em que as comunidades se unem para auxiliar as paróquias menos favorecidas, fazendo circular recursos humanos e materiais.

Para o padre Claudemir, muitos frutos serão colhidos em breve e alguns já podem ser percebidos. “Poderíamos citar uma comunhão entre paróquias da mesma Região Pastoral através de encontros de formação, do planejamento pastoral e da convivência entre os presbíteros. As paróquias estão caminhando juntas, partillhando experiências”, exemplifica. Andrea Faria Fernandes Belone, que atua no primeiro programa, acredita que sua implantação efetiva é fundamental para o desenvolvimento dos demais programas.

“Além de ser um caminho para que os outros sejam executados, fortalece o sentido de pertença à Diocese, gerando comprometimento e participação”. O segundo programa, “Formação inicial e permanente”, abrange em seus três projetos: a missão querigmática vivencial (anúncio do Reino de Deus); a formação catequética (capacitação dos evangelizadores) e a formação teológica para leigos (fundamentação doutrinal para agentes pastorais).

Dalva Batalha Teixeira Grandini, coordenadora deste programa, lembra que a formação é um trabalho constante e seu desenvolvimento pode ser observado no despertar de consciência sobre a catequese renovada. “Antes a catequese era doutrinal, bastava saber os sacramentos, pois o cristão ficava dentro da Igreja. Hoje ele é atuante. E a catequese prepara a criança como cidadã que vive os valores pregados por Jesus. A conversão leva à transformação não só pessoal, mas da sociedade”.

A promoção e a participação do jovem na Igreja e na sociedade é um dos projetos do terceiro programa, intitulado “Igreja e Juventude”. Ele fala também sobre a missão da juventude e a opção pelo jovem excluído. O padre Naudmir Aparecido Fabri, que organiza as atividades deste programa, explica que o objetivo é inserir os jovens no contexto da formação cristã, comprometendo-os com a mensagem de Jesus e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

“A grande conquista é reunir as diversas expressões juvenis e manter a unidade de corações e almas, respeitando os dons e carismas de cada um”. Além do âmbito comunitário, o programa trabalha o desenvolvimento pessoal e o amadurecimento dos jovens. “A perspectiva é que o mundo juvenil da nossa Diocese seja uma expressão de dinamismo e ardor”, complementa o padre Naudmir.

Apesar de todas essas frentes possuirem uma ligação com o social, a ação sócio-transformadora da Igreja Católica em Bauru se concentra no quarto programa, chamado “Formação Social e Promoção Humana”. As pastorais sociais e o Conselho Diocesano de Leigos se uniram para organizar os projetos que ressaltam a conscientização social; a defesa dos direitos humanos e as ações alternativas para promover a população carente. Neste momento, uma das prioridades é conquistar um bom número de voluntários em todos os setores da sociedade.

“Queremos nos encontar com católicos que se dizem ‘não praticantes’, capacitar essas pessoas e oferecer uma oportunidade de ação cristã para a vivência do batismo”, afirma Rosa Maria Morceli, que responde por este trabalho. Ela conta que houve um amadurecimento na missão do quarto programa e que o contato com futuros parceiros como universidades, empresários, sindicatos e governo já foi feito.

“Estamos nos articulando para que nossa espiritualidade tenha na ligação entre fé e vida a concretização da identidade católica na Diocese de Bauru”. O bispo dom Luiz Antônio Guedes lembra que o 7º Plano não esgota a realidade da vida da Igreja, apenas ressalta alguns apectos da sua missão. Para ele, o grande desafio é mudar o olhar das comunidades, que tendem a se acomodar um pouco. “As alegrias, as tristezas, as dores e as esperanças da humanidade também são as nossas. Não somos cristãos para nós, somos cristãos para o mundo, para a sociedade.”

Dom Luiz destaca que os cristãos são portadores de uma mensagem universal que não pode ser guardada entre eles, pois a fé está muito ligada à vida concreta. “Não se trata de transformar apenas um aspecto da pessoa, como o religioso, mas transformar os grupos humanos, empenhando-nos para que toda a sociedade seja um sinal mais efetivo daquilo que o reino de Deus propõe, que é vida plena para todos”.

O bispo de Bauru acredita que quando as pessoas tomam consciência desse objetivo comum e têm clareza de onde se quer chegar, percebem que é preciso caminhar em conjunto e há crescimento na comunhão, aumentando a possibilidade de acertar. “A comemoração dos 40 anos da Diocese acaba sendo também a celebração de um compromisso, do início de uma nova etapa. Aquilo que está proposto no 7º Plano é isso: um novo fôlego”, finaliza. Em breve será lançado um Boletim Diocesano com o material completo do 7º Plano - 2ª Fase.

Para saber mais, basta entrar em contato com o Centro Diocesano de Pastoral, que fica na rua Ezequiel Ramos, 18-35, Vila Cardia. O telefone é (14) 3234-6908. O site da Diocese de Bauru: www.bispadobauru. org.br

Comentários

Comentários