Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
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Tentativas em vão

Desde o dia em que concordou com as enfáticas e decididas argumentações do promotor de Defesa da Cidadania e do Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, contra a forma como foi firmado o acordo para o pagamento de uma dívida de R$ 14,7 milhões cobrada pela CPFL, o prefeito Nilson Costa (PTB) não ficou um dia sequer sem buscar junto à empresa a anulação da confissão do débito.

Acordo desfeito

Anteontem, após ter viajado até Campinas, onde fica a sede da CPFL, viu que a empresa distribuidora de energia não queria mesmo se sensibilizar, em que pese tudo o que já se demonstrou de irregular na confissão da dívida e apesar do clamor da população. Por isso, resolveu romper, ainda que de forma unilateral, o acerto do débito que era cobrado sem medição e sem explicação do valor.

Opinião pública

Com esta atitude, Nilson certamente atende a um reclamo geral da cidade que, em momentos mais graves, forma opinião e firma posições em defesa de seus interesses relevantes. Ninguém em sã consciência tem a pretensão de governar no lugar do prefeito nem de defender calote nos débitos municipais. Mas o povo se inquieta quando sente que algo não está sendo feito de forma justa e correta.

Apenas a CPFL

Falta agora somente a CPFL rever sua resistência diante de todas as evidências, não sob a ótica de seus interesses mercantis imediatos apenas, que estão garantidos de qualquer forma, mas sim pelo prisma da razão e na dimensão da importância dos serviços que presta à cidade. Afinal, ninguém está se negando a quitar nada, mas apenas querendo pagar sob a luz de um contrato e de comprovações claras do consumo. Se a empresa tem tanta certeza de seus direitos, por que temer a anulação deste contrato obscuro e não fazer outro?

CEI embola

Com a decisão de ontem, Nilson Costa cria um fato que acrescenta novos elementos à análise do relatório da CEI da CPFL, que será feita amanhã, na Câmara Municipal. Os 21 vereadores votarão o relatório de Toninho Garmes (PSDB), que apontou exatamente as falhas de procedimento vistos pelo promotor Helene, entre outras peculiaridades, e pediu Comissão Processante (CP).

Retirada da CP

Segundo cogitou um assessor do prefeito, que levou ontem o documento do rompimento do acordo ao JC, poderá ganhar força novamente na bancada situacionista e também entre os parlamentares chamados de “flutuantes” a tese de retirada do relatório da CEI do pedido de Comissão Processante para o prefeito, ficando apenas as constatações e recomendações do relator, que passariam pelo plenário sem muita disputa.

Debate acirrado

Mas tudo isso, se ocorrer, vai demandar uma bela discussão já que, segundo Garmes, o fato de Nilson estar buscando dar uma solução para o problema não o exime dos erros que já teria cometido no caso. Claro que o contexto em que mais essa crise ocorre, ou seja, final de mandato, vereadores sendo acusados por viagens ilegais e ainda a cidade traumatizada por uma série de impasses na seara política-administrativa, poderá influenciar.

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