De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sucesso da “Estratégia Global sobre Dieta, Atividade Física e Saúde” depende do envolvimento dos mais diferentes setores sociais, econômicos, educacionais e políticos do mundo.
“Promover mudanças nos hábitos dietéticos e nos padrões de atividade física vai exigir uma combinação de esforços de todas as partes envolvidas - seja dos setores públicos ou privados - por muitas décadas”, destaca a minuta da estratégia.
Um dos primeiros setores a sentir o impacto da proposta, na opinião do secretário nacional de Vigilância em Saúde da Brasil, Jarbas Barbosa, deverá ser o das indústrias de alimentos. Elas terão de rever o teor de sódio (sal) em seus produtos, além de reduzir os níveis de açúcar e de gordura, substituindo as saturadas pelas insaturadas.
O setor privado também deverá sentir o impacto da estratégia, especialmente as empresas que mantêm funcionários contratados. “Locais de trabalho são cenários importantes para a promoção de saúde e a prevenção de doenças. As pessoas precisam ter oportunidade de fazer escolhas saudáveis no trabalho a fim de reduzir sua exposição aos riscos”, destaca a OMS.
“Além disso, o custo do empregador com a morbidade atribuída às doenças não-transmissíveis aumenta rapidamente. Locais de trabalho devem tornar possível a escolha de alimentos saudáveis e incentivar a atividade física”, acrescenta.
A maior responsabilidade, porém, ficará por conta das organizações governamentais. Caberá às autoridades formular e promover políticas nacionais, regionais e locais que favoreçam a adoção da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos.
Uma das recomendações, nesse sentido, é que os governos realizem adaptações nas estruturas já existentes. Isso incluiria melhorar a merenda escolar e dotar praças e parques de equipamentos de ginástica, por exemplo.
Caberá aos governos, também, providenciar informações confiáveis à população, de modo que todas as pessoas possam avaliar o que adquirem e fazer escolhas mais saudáveis. Especialmente as informações ao consumidor - os rótulos devem trazer linguagem simples e de fácil compreensão por indivíduos de todos os segmentos da sociedade.
Os governos deverão, ainda, providenciar campanhas de orientação, educação e conscientização sobre os hábitos saudáveis e fiscalizar as propagandas que influenciam hábitos alimentares e esportivos. As escolas podem ser um bom instrumento de veiculação destas campanhas.
Paralelamente, a OMS sugere a adoção de políticas específicas voltadas à agricultura, incentivando a produção de alimentos mais saudáveis. “Muitos países usam medidas fiscais, incluindo taxas, para influenciar a viabilidade, o acesso e o consumo de alimentos variados”, sugere o documento.
Segundo a OMS, a participação dos diversos setores é fundamental para enraizar os novos conceitos e incentivar individualmente a adoção de hábitos mais saudáveis.
“Uma perspectiva para toda a vida é essencial para a prevenção e o controle de doenças não-transmissíveis. Essa abordagem começa com a saúde materna, nutrição e acompanhamento pré-natal, amamentação exclusiva até os seis meses de vida e uma infância e adolescência saudáveis”, descreve a OMS.
“Estende-se às crianças na escola, aos adultos no ambiente de trabalho e outros ambientes, e aos idosos. E encoraja a uma dieta saudável e à prática regular de atividade física da mocidade até as idades mais avançadas”, completa.