A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) lançou, simultaneamente ao Congresso Internacional de Osteoporose realizado há duas semanas no Rio de Janeiro, as “Dez dicas de prevenção para combate à osteoporose”. Segundo a entidade, o objetivo é levar à população leiga orientações simples que podem evitar a doença ou suas complicações.
A osteoporose é caracterizada por uma diminuição progressiva da densidade mineral óssea, ou seja, os ossos vão ficando cada vez mais porosos e enfraquecidos. Esse processo é considerado normal durante o envelhecimento, mas torna-se patológico quando enfraquece os ossos ao ponto de torná-los excessivamente suscetíveis às fraturas.
Em pessoas de ossatura saudável, os ossos só se quebram em conseqüência de um trauma importante, como quedas abruptas, pancadas fortes, acidentes de trânsito. Na pessoa com osteoporose, os ossos tornam-se tão frágeis que podem partir-se ao menor movimento - até mesmo numa caminhada curta dentro de casa.
Segundo o Guia da Saúde Familiar (IstoÉ, 1999), o Brasil registra cerca de 100 mil fraturas por ano causadas pela osteoporose. Estatísticas indicam que, a partir dos 50 anos, 30% das mulheres e 13% dos homens poderão sofrer algum tipo de fratura por osteoporose ao longo da vida. E esse risco aumenta com o envelhecimento - aos 80 anos, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens podem fraturar o quadril.
De acordo com a SBR, a osteoporose é uma doença multifatorial. Determinações genéticas contribuem com 46% a 62% da densidade mineral óssea. Os outros 38% a 54% podem ser afetados pelo estilo de vida do indivíduo.
Um dos mais importantes fatores externos ligados à osteoporose é a nutrição. O aleitamento materno e uma dieta adequadamente balanceada ao longo da vida facilitam o desenvolvimento e a manutenção da qualidade da massa óssea. “Em relação ao esqueleto, o nutriente mais importante é o cálcio (...) Leite e seus derivados contêm a maior proporção de cálcio, embora outras fontes também possam ser utilizadas”, informa a SBR.
Uma adequada exposição solar também é necessária para a produção de vitamina D na pele, substância fundamental para a manutenção de um esqueleto de boa qualidade, segundo o Consenso Brasileiro de Osteoporose 2002.
O documento também salienta a importância da atividade física - não só para a prevenção, mas também para o tratamento da doença. Durante o esforço físico, a contração muscular causa uma “deformação” no esqueleto e o osso interpreta isso como um estímulo à produção de mais massa óssea.
“O pico de formação de massa óssea é atingido entre a adolescência e os 35 anos de idade. Uma das maneiras de evitar a osteoporose é aumentando a massa óssea nesta fase”, destaca o consenso. A partir desta idade, os exercícios ajudam a manter a densidade óssea, além de melhorar o equilíbrio e a resistência muscular.
A partir dos 50 anos, quando a densidade óssea começa a diminuir, deve-se intensificar os cuidados com acidentes. “As quedas constituem a principal causa de morte acidental para maiores de 65 anos. De cada quatro pessoas que morrem após uma queda, três são idosas”, destaca a SBR.
“Sabemos que a população brasileira idosa cresce a cada dia e, conseqüentemente, aumenta o número de pessoas atingidas pela doença”, salienta o presidente da SBR, o médico Caio Moreira, por meio da assessoria de imprensa.
“A informação é muito importante para que as pessoas possam prevenir a osteoporose, que é considerada uma doença silenciosa pelo fato dos sintomas, quando aparecem, já indicarem um estado avançado da doença. Sendo assim, através das nossas dez dicas, esperamos poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros e diminuir os casos da doença no nosso País”, acrescenta.