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Conservação do cerrado é prioridade

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru e mais seis municípios vizinhos (Agudos, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Paulistânia e Piratininga) formam uma das 900 regiões de todo País definidas recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente como áreas prioritárias para conservação, utilização sustentável e divisão dos benefícios da biodiversidade. Na região de Bauru, cuja prioridade de ações é classificada como extremamente alta, o objetivo é conservar o cerrado e a mata de transição, nome dada à vegetação existente entre o cerrado e a mata atlântica.

O Ministério do Meio Ambiente recomenda a criação de unidades de conservação nessas 900 regiões. Como em Bauru já existem três áreas de proteção ambiental (APAs), Estação Experimental (mais conhecida por Horto Florestal), Estação Ecológica e Jardim Botânico, os ambientalistas esperam que a inclusão do município na lista facilite a liberação de recursos para pesquisar o ecossistema.

Para Luiz Pires, secretário municipal do Meio Ambiente e membro do Conselho Gestor das APAs, a inclusão de Bauru na lista das regiões prioritárias é um argumento a mais para reivindicar verba. “Precisamos fazer o diagnóstico dessas áreas para, a partir daí, elaborar planos de manejo e diretrizes e restrições de uso inclusive, se for o caso”, diz.

Nas unidades de conservação ambiental, que podem englobar terras particulares e públicas, o desmatamento é proibido. Mas nas três APAs de Bauru resta muito pouco da vegetação nativa. A mata foi devastada antes dessas áreas serem declaradas de conservação ambiental, o que ocorreu a partir da década de 90.

Com a declaração de unidade de conservação ambiental, tornaram-se áreas de uso restrito, cuja atividade tem que obedecer a capacidade do solo, explica Luiz Carlos Alberto Neto, coordenador do Conselho Gestor das APAs e diretor do Jardim Botânico.

Apesar disso, ainda não há estudos quantificando as áreas de reserva vegetal e de exploração econômica das APAs, frisa Alberto Neto. “Dentro das APAs temos áreas de agricultura, de agropecuária e de reflorestamento. A nossa preocupação é que essas atividades causem degradação, como erosões, e que a mata que resta seja derrubada. Por isso, este estudo é importante. A partir dele, poderemos propor ações de recuperação ambiental e de manejo adequado”, diz.

A inclusão de Bauru na lista dos municípios cuja criação de unidades de conservação exige prioridade extremamente alta é comemorada por Rodrigo Agostinho, vereador e membro do Instituto Ambiental Vidágua. “A inclusão das regiões de Bauru e Lençóis Paulista nesta lista é importante porque são áreas em que pouco sobrou da vegetação nativa, formada por cerrado e mata de transição. E nessas áreas vivem animais ameaçados de extinção”, frisa.

Um levantamento feito no Estado de São Paulo em 1999 apontou a existência de 1,17% do território coberto por cerrado, sendo que 5% desse total estavam na região de Bauru, segundo Rodrigo. “Agora, está sendo finalizado um novo levantamento e já sabemos que a área de cerrado no Estado caiu para 0,8%”, comenta.

Rodrigo acredita que agora fica mais fácil Bauru obter recursos para pesquisar suas unidades de conservação ambiental. Para ele, além de quantificar as áreas com vegetação nativa e as usadas para exploração econômica e as condições em que se encontram, a pesquisa servirá para conhecer a flora existente e até para ditar novas formas de exploração das áreas de conservação.

O ambientalista ressalta que o potencial de uso de plantas nativas na indústria farmacêutica é enorme, mas se conhece muito pouco delas. “Poderiam ser montados centros de pesquisa da flora. Além da importância para a biodiversidade e proteção dos rios, essas plantas seriam usadas na indústria farmacêutica. Estamos na era da biotecnologia”, frisa.

A pesquisa, sustenta Rodrigo, também ajudaria Bauru a explorar de forma sustentável as unidades de conservação. “Apesar de Bauru não ter cachoeiras, poderia ser um pólo de ecoturismo, com trilhas para caminhadas, trekking, off road”, sugere.

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