A cantora mineira Maria Alcina se apresenta hoje em Bauru. Juntamente com a banda Bojo, ela realiza um show às 21h30, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc).
O set list da noite será baseado no CD “Agora”, que traz a MPB de Ary Barroso, Secos e Molhados e João Bosco incrementada por efeitos da música eletrônica. Lançado no final do ano passado, o álbum é fruto de um projeto realizado em 2003 no Sesc Pompéia que reuniu, entre outros artistas, Alcina e o grupo Bojo no mesmo palco.
“Fui convidada a cantar pelo Maurício Bussab, do Bojo, que mandou alguns CDs do grupo. O trabalho me surpreendeu”, conta Alcina em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade. Existente há seis anos, o Bojo é um dos principais representantes da música eletrônica no Brasil. Formado por Bussab e Fê Pinatti (samplers, sintetizadores e efeitos), Du Moreira (baixo) e Kuki Stolarski (bateria), o grupo possui três discos lançados e acumula diversos shows em cidades brasileiras e também no Exterior.
Além de composições do Bojo, o disco traz pérolas, como “Eu Dei”, de Carmem Miranda, e “Fio Maravilha”, de Jorge Ben. “Música que hoje é chamada de ‘Filho Maravilha’, de Jorge Ben Jor”, lembra Alcina, referindo-se à canção que marcou sua estréia como intérprete.
“Em 1972, após seis meses cantando na boate carioca Number One, eu participei, com essa música, do Festival Internacional da Canção (realizado no estádio Maracanãzinho, Rio de Janeiro)”, revela a cantora.
Dona de uma voz grave e estilo não menos marcante, Alcina se consagrou como uma das intérpretes mais irreverentes da MPB. Com mais de 30 anos de experiência musical, ela não possui muitos discos - ao todo são 4 LPs e alguns compactos. “A Warner lançou toda a minha obra dos anos 70 em CD, mas o ‘Agora’ é o primeiro disco gravado em estúdio”, detalha a artista. “Minha carreira não obedece à regra, não gravei um disco por ano”, explica.
Embora pequena, a discografia de Alcina é marcante. Na década de 70, ela lançou canções que se transformaram em grandes sucessos. Entre elas “Alô Alô”, de André Filho, “Folia no Matagal”, de Eduardo Dusek, “E Tome Polca”, de José Maria de Abreu e Luiz Peixoto, além de “Kid Cavaquinho” e “Amigos Novos e Antigos”, ambas de João Bosco e Aldir Blanc.
Na mesma época, Alcina revolucionou a estética comportamental ao se apresentar com gestos extravagantes, maquiagem carregada e adereços carnavalescos - numa indumentária que se assemelhava à de Carmem Miranda. Por causa dessa imagem, a intérprete chegou a responder processo por “comportamento subversivo”, e em 1974, foi proibida de tocar em shows e programas de rádio e televisão.
“Quando comecei (a se apresentar com esses adereços), tive influências da Tropicália, do Chacrinha e Elke Maravilha. É muito legal assistir a um show que tenha o aspecto lúdico e da fantasia, não apenas pela roupa, mas mais pelo momento”, destaca Alcina, que em 1995 participou de um show em homenagem a Carmem Miranda nos Estados Unidos. O evento, que teve a participação de Marília Pêra, deu à intérprete, na época, a fama de “Carmem Miranda dos anos 90” .
Atualmente, Alcina afirma que não continua mais a mesma artista da década de 70. Contudo, ainda preserva o “brilho” nos palcos. “Não sou mais a mesma. O trabalho com o Bojo, por exemplo, tem uma sonoridade tão inédita que o som responde por si próprio”, diz. “Mas a indumentária faz parte da cena e sempre haverá alguns boás de plumas ou tules. O público gosta muito disso”, observa Alcina.
• Serviço
Show de Maria Alcina e Bojo hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.