O Nobel de literatura, José Saramago, em recente entrevista, disse: “Se começássemos a dizer claramente que a democracia é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia e uma mentira, talvez pudéssemos nos entender melhor.”
A democracia, como tal concebida, pressupõe participação, direitos, obrigações e oportunidades iguais para todos; porém, enquanto houver a política do oportunismo, do “conheço seus podres, você conhece os meus, esquece... vamos deixar tudo como está” haverá democracia? Enquanto houver uma criança faminta, uma mãe oprimida, um velho deprimido, um doente desassistido, a usura desenfreada, haverá democracia?
Saramago tem razão. Precisamos começar a dizer claramente que democracia não é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia, uma mentira. Isso o faremos através do voto consciente, da política limpa, equilibrada, efetivamente transparente, onde o político responderá diretamente ao cidadão, eleitor ou não, afinal, democracia pressupõe uma sociedade justa e perfeita.
O poder está em nossas mãos, habitue-se a perguntar, sempre que deparar com uma atitude ou situação, política ou não, que não lhe pareça estar dentro dos moldes democráticos, mesmo quando se trata de um simples atendimento: “Estou sendo respeitado ou tratado dentro dos princípios democráticos?”. Em sendo negativa a resposta, não concorde, não seja condescendente, exija seus direitos, pois democracia pressupõe, entre outros direitos, o do respeito ao cidadão e a otimização de sua qualidade de vida. Numa democracia, os dois grandes instrumentos que mudam a vida da nação: “Justiça e voto” pertencem ao cidadão, basta saber usá-los!
José Carlos Dias da Silva - RG 2.252.100