Tão difícil como acreditar que o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) é inocente de todas as acusações de corrupção, é crer que não há qualquer jogada política por trás dessa nova bomba que estourou nas suas supostas contas no Exterior, justamente quando ele é apontado pelas recentes pesquisas, como o vencedor do pleito de outubro. De certo, Maluf tem muito a explicar às autoridades que investigam o caso, mas o momento em que as coisas deste tipo são reveladas só reforçam entre os “malufistas assumidos” a mistificação de que ele é um injustiçado, um perseguido.
Enquanto isso, em Brasília, o governo federal tomou mais uma de suas veementes decisões, que, por sinal, já estão se tornando a marca desta administração. O anúncio da cassação do visto do correspondente do jornal americano The New York Times, Larry Rohter, que publicou um artigo referente ao assunto de bebidas alcoólicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o reflexo que isso estaria acarretando no seu desempenho, repercutiu - muito negativamente - no mundo todo e, não poderia ser diferente, para logo em seguida tanto o presidente quanto o jornalista derem as mãos à palmatória, e tudo ficou “na santa paz do Senhor”. Se a preocupação do governo, ao expulsar o jornalista do País, era com sua imagem no Exterior, conseguiu apenas danificá-la.
O fato é que membros do PT, partido que tem (ou tinha?) a democracia como uma das suas principais bandeiras, vêm se defendendo das acusações que pairam sobre si com atitudes arbitrárias, impulsivas e espantosas. Em meio de tudo isso, o PSDB anunciou oficialmente a entrada de José Serra na briga pela Prefeitura de São Paulo, que certamente mudará o rumo da eleição e possibilitará a ampla inserção de temas federais na disputa municipal, principalmente porque Serra foi derrotado por Lula em 2002. Em declaração à imprensa, o deputado Roberto Freire (PPS), lembra que “foi o próprio presidente Lula que elegeu São Paulo como centro da disputa no País ao lançar Marta Suplicy à reeleição no ano passado” - apoio este que muitas pesquisas já apontam como perigoso à prefeita.
A corrida eleitoral está apenas começando e, certamente, vão ter muitos tropeções, tombos e ultrapassagens até outubro. Mas os exemplos citados acima servem de alerta para o eleitor que, mais do que nunca, terá que estar atento para ficar de fora das intrigas políticas que ainda estão por vir.
João Álvares - da Associação Paulista de Imprensa - reg. n.º 2069 - e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado