Turismo

Um novo Rio

Eliane Barbosa (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo quando os termômetros registram queda brusca de temperatura, o Rio de Janeiro tem encantos para quem o visita.

Que o diga um grupo de bauruenses que esteve lá há duas semanas, enfrentando chuviscos e temperaturas em torno de 20 graus. Conheceram outra faceta da Capital fluminense bem diferente daquela dos cartões-postais: praias, sol a pino e temperatura de 40 graus.

Fretaram um ônibus, hospedaram-se no Sesc Copacabana e partiram para incursões por recantos “secretos” para muitos.

Longe da praia de Copacabana, do Pão-de-Açúcar e do Corcovado, seus tradicionais pontos, em outros lados da cidade existem parques, cachoeiras e monumentos históricos ainda desconhecidos até para muitos cariocas.

Um dos exemplos vem da zona Oeste, que tem belezas naturais pouco exploradas e guarda parte da história do Brasil. Para “corrigir” esse erro, moradores do Rio e turistas, incluindo bauruenses, participaram do projeto Conhecendo o Rio a Pé na zona Oeste, lançado com o objetivo de promover caminhadas pela região.

A iniciativa partiu do Conselho das Instituições de Ensino Superior da Zona Oeste (CIESZO), que reúne sete universidades em parceria com a Riotur.

O projeto tem 68 roteiros traçados. Metade é ecológica e vai de trilhas a praias. Os outros, chamados culturais, incluem visitação a museus, igrejas e monumentos antigos, inclusive da época do Brasil Colônia.

Os passeios são realizados todo fim de semana até dezembro e são gratuitos.

“A gente quer mostrar o potencial turístico da região para as pessoas, principalmente as que moram na zona oeste. O carioca que não conhece muitos lugares do Rio vai conhecer esse agora”, disse Simone Barra, coordenadora do projeto. Apesar de animada com a nova edição do programa, que a Riotur já havia implantado entre 1994 e 1996, ela reconhece as dificuldades. “Eu espero que esse projeto seja um pontapé inicial para cuidar dos pontos turísticos daqui. Falta sinalização e informação para o turista.”

Se depender do guia Ivo Santos Carvalho, 43 anos, ninguém sairá com dúvida dos passeios.

Ele é um dos dez guias da Embratur cadastrados no projeto. Há oito anos trabalhando com o turismo na zona Oeste, Carvalho conhece como ninguém o lugar. Fala com desenvoltura, por exemplo, da Ponte dos Jesuítas, construída onde hoje é o bairro de Santa Cruz. “Os jesuítas fizeram essa ponte em 1752 com comportas para conter as enchentes do Rio Guandu, que eram freqüentes. Essa foi a primeira obra de engenharia hidráulica da América Latina”, contou. A ponte foi erguida com óleo de baleia, casca de ostra, areia e liga de cal, pois naquela época não havia cimento.

Carvalho também lembra as longas viagens que a família imperial fazia para chegar até a casa de veraneio que tinha em Santa Cruz. “Eram grandes comitivas. O rei Dom João VI vinha com suas carruagens e trazia Dom Pedro I, quando ele ainda era pequeno.” Atualmente, a antiga residência imperial, construída em 1751, abriga o Batalhão-Escola de Engenharia do Exército, que é aberto à visitação.

“Muitas pessoas passam por aqui todo o dia e não sabem da história desse lugar”, lamenta o guia. Esse foi o caso do professor de história Sinvaldo do Nascimento Souza, 54 anos, morador de Santa Cruz. Ele participou do projeto de caminhadas em sua primeira edição. “O roteiro cultural me ajudou muito. Não conhecia todos os lugares e passei a levar meus alunos nos passeios. Pretendo ir a outros pontos agora que o programa voltou. É uma maneira de a gente estar se desenvolvendo.”

Para quem valoriza o contato com a natureza, o Parque Natural Municipal da Serra do Mendanha, em Campo Grande, é uma boa opção.

Cercado por mata atlântica, o local tem piscina de água natural e trilhas. Com um pouco de sorte, é possível ver bichos-preguiças, micos e até tucanos, fauna rara nos grandes centros. “Eu recebia turistas estrangeiros no aeroporto e, depois de levá-los ao Corcovado e ao Pão de Açúcar, perguntava se eles tinham tempo e queriam conhecer a zona Oeste. Os argentinos adoram. Ficam fascinados”, afirmou Carvalho.

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