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Relações desiguais


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América Latina e Caribe são a região do planeta mais próxima da Europa do ponto de vista cultural, lingüístico e demográfico. A região é vista como cenário idôneo para a adaptação do modelo de integração regional europeu, como alternativa à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e à Área de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

O novo fenômeno europeu da ampliação da União Européia, de 15 para 25 membros, pode ser vista como uma oportunidade. Com a ampliação, os latino-americanos descobrirão uma Europa com perfis semelhantes. O volume demográfico da UE ampliada é semelhante ao da AL. A UE representa 8% da população mundial e a AL, 7%. Agora, a renda européia equivale a um quarto da mundial, enquanto a AL se contenta com magros 6%. Enquanto as exportações de produtos europeus representam 38% do movimento global, as latino-americanas chegam a apenas 5%. Enquanto a Europa engole 35% das exportações mundiais, a América Latina compra apenas 5,4%.

México, com a melhor renda per capita da AL (US$ 6 mil anuais/habitante), se aproxima da Hungria (US$ 8.378) e da República Checa (US$ 8.242), novos sócios da UE. A Turquia (US$ 3.533), eterno aspirante, tem renda per capita parecida com a da Argentina (US$ 3.322) e do Uruguai (US$ 3.275). A União Européia possui um PIB seis vezes maior do que o dos 20 países latino-americanos. O PIB de toda a AL, enquanto no bloco dobra a dimensão econômica da Espanha, não chega ao nível do da Alemanha e é apenas pouco maior do que o da Itália.

Hoje, a Europa é o interlocutor econômico e político mais importante da AL, é seu maior doador de ajuda para o desenvolvimento, seu primeiro investimento e seu sócio comercial mais relevante. A UE apoiou o Mercosul desde seu nascimento, com um acordo que dá assistência técnica e internacional e atualmente negocia outro acordo de Associação Política e Econômica, que inclui a recente oferta de tratamento preferencial para os produtos agrícolas. Desde que foi colocado em marcha, em 1984, o diálogo de San José se converteu em um fórum essencial de discussão política entre a UE e a América Central, com a intenção de consolidar o processo democrático e apoiar a integração regional.

Entre os obstáculos para a consolidação da relação entre Europa e América Latina/Caribe se destaca a presença dos Estados Unidos na América Latina e seus argumentos baseados na proximidade e no simples livre comércio. O investimento estrangeiro direto sofrerá a competição da Europa do Leste que, por estar agora dentro da União Européia, se converte em mais atraente do que a América Latina para aventuras futuras, com maiores garantias jurídicas, mão-de-obra qualificada, economia aberta e acesso direto a um mercado de 450 milhões de pessoas. Porém, a ajuda da UE não é suficiente para minimizar a desigualdade e a exclusão social. Além disso, a resistência em aprofundar a integração regional dificulta a competivididade internacional.

O autor, Joaquín Roy, é diretor do Centro da União Européia da Universidade de Miami.

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