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O interesse local


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De agora até o final do próximo mês, mais precisamente dia 30 de junho, estarão acontecendo em todos os municípios brasileiros as principais articulações políticas na preparação do pleito municipal deste ano.

Embora o prazo para as convenções municipais esteja estabelecido na lei eleitoral do dia 10 de junho até o dia 30 do mesmo mês, é razoável imaginar que as conversações estejam em pleno curso, pois não seria lógico deixar que isso fosse revolvido na última hora. Existe até um ditado político de que as reuniões são marcadas quando tudo já está resolvido previamente e assim se realizarão as convenções.

Nesse aspecto é importante salientar que as estruturas partidárias brasileiras, especialmente pelo fato de termos vivido um momento de repressão e obscurantismo político, ainda não são tão bem definidas ideologicamente no que diz respeito a sua interface junto à sociedade. Existem partidos mais estruturados ideologicamente e outros menos, e não podemos cobrá-los ou culpá-los pura e simplesmente, porque isso só se dará com o tempo e a prática política. Eles só se fortalecerão e se definirão com o dia-dia e com o passar do tempo.

É preciso destacar também que a própria sociedade não escolhe seus representantes através de uma análise puramente ideológica. Não existe essa definição clara na cabeça do eleitor. A população, na sua grande maioria, escolhe seus representantes pelo conhecimento pessoal, pelas suas propostas, pela simpatia, pela seriedade e conduta em sua vida particular e menos, eu diria, pelo partido que representa. O eleitor quer depositar sua esperança em quem ele confia e imagina que irá fazer algo de bom para a coletividade, melhorando sua vida cotidiana.

Por causa de todas essas nuances é que vemos as coligações partidárias acontecerem no Brasil afora reunindo os mais diversos partidos políticos. Até o PT, que é o partido político mais definido ideologicamente, já tem uma postura mais próxima do pensamento da sociedade. Desde a eleição presidencial já fez alianças com partidos que antes era impensável imaginá-los como seus aliados e que, acredito, serão ainda mais flexíveis nesta eleição municipal.

As atuais alianças políticas, tanto no campo nacional, quanto no campo estadual, poderão influenciar ou não nas coligações partidárias para as eleições municipais. Não causará espanto algum vermos partidos antagônicos no campo nacional que, por uma conveniência local, poderão estar juntos no pleito deste ano, ou partidos que são aliados no campo nacional ou estadual que estarão em lados apostos na eleição municipal. Não podemos deixar de registrar que irão falar mais alto, nessas definições, as questões locais e não podemos recriminar o que for decidido, muito pelo contrário.

Acredito que essa flexibilidade partidária, que numa análise superficial poderia contrariar ao próprio fortalecimento dos partidos políticos, está encaixada e em sintonia com a nossa realidade sóciocultural e política, a qual não pode ser ignorada e que, pessoalmente, creio não seja tão prejudicial assim ao fortalecimento partidário. Talvez faça o processo ser mais longo e nada mais.

Confio nas pessoas, nos partidos políticos de nosso País e sei que sejam quais forem as uniões de partidos para o próximo pleito, elas acontecerão sempre no interesse de nossa gente e na melhoria das condições de vida em cada cidade de nosso País.

O autor, Milton Monti, é deputado federal pelo PL.

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