Dois tigres do zoológico municipal de Bauru precisaram ser sacrificados no início da tarde de ontem após escaparem por um buraco localizado na tela do recinto que habitavam. Os dardos tranqüilizantes disparados pelos funcionários da prefeitura não foram capazes de deter os animais e eles foram mortos com disparos de arma de fogo. Uma vistoria constatou sinais de que o alambrado da jaula pode ter sido cortado. O caso será investigado pela polícia.
Os animais sacrificados foram uma fêmea, que há 12 anos estava no zôo, e seu filho, um macho de seis anos que havia nascido em Bauru. A expectativa de vida da espécie é de 25 anos.
Visivelmente emocionado, o Secretário Municipal do Meio Ambiente (Semma), Luiz Pires, explicou que a fuga foi notada pelo único visitante que estava no zoológico no momento do incidente, que ocorreu por volta de meio-dia e meia. Ele relatou a um funcionário que havia avistado um dos tigres em frente à jaula do leão, tentando brigar com o animal que estava preso.
“Imediatamente, o funcionário acionou o protocolo de segurança do zoológico, que consiste no fechamento de todas as entradas e a retirada dos visitantes”, relata Pires.
Ele explica que os tratadores embarcaram nos veículos do zôo e se dirigiram até o local, onde constataram que, na verdade, os dois tigres da jaula haviam fugido. Enquanto o macho brigava com o leão, a femêa invadiu a área da camela, que recebeu mordidas na pata e na barriga.
Paralelamente, de acordo com Pires, o veterinário do zôo utilizou uma arma anestésica para tentar dopar os animais. “No momento em que eles receberam os dardos, se refugiaram na mata que fica dentro do próprio recinto”, afirma o titular da Semma.
Ele explica que os funcionários da prefeitura passaram a monitorar os tigres, aguardando o tempo necessário para a sedação. “Tendo em vista que eles estavam com uma grande descarga de adrenalina, por estarem fora da jaula e brigando com outros animais, foi dada mais uma dose de anestésico, que ainda assim nos impedia, porém, de ter certeza sobre a sedação”, recorda.
Pires conta que, quando os tratadores tentavam entrar na mata, provocavam reação imediata dos tigres. “Por uma questão de protocolo de segurança e pela situação representar perigo aos funcionários, nós optamos, infelizmente, pelo sacrifício. Foi uma atitude difícil de ser tomada”, declara. Toda a ação durou cerca de uma hora e 40 minutos e envolveu 12 funcionários.
Vistoria
O secretário do Meio Ambiente revela que, após a morte dos animais, técnicos do zoológico vistoriaram a jaula que os tigres habitavam e constataram indícios de que o buraco teria sido feito por um objeto cortante. “Pode ter sido um alicate ou algo parecido”, analisa.
A polícia foi, então, acionada para a elaboração de boletim de ocorrência. No final da tarde de ontem, a jaula foi vistoriada e fotografada para perícia.
Pires descarta que o possível ato de vandalismo tenha sido causado por servidores municipais. “Se realmente foi algo criminoso, já que ainda não temos essa certeza, com toda garantia não foi atitude de funcionários do zoológico ou da prefeitura”, declara.
Segundo ele, nenhum problema havia sido notado na jaula durante a limpeza efetuada às 8h30 de ontem. “Além disso, durante o horário de visita sempre temos um funcionário próximo aos locais onde estão animais considerados feras”, destaca.
O titular da Semma afirma que irá, agora, estudar um reforço na segurança do zôo. “Vamos verificar onde podemos ter falhado, porque atos como este colocam em xeque todo o trabalho que o zoológico vem fazendo ao longo dos últimos anos buscando a preservação”, comenta.
O servidor municipal Josué Gomes de Moraes, que trabalha como mestre de obras da prefeitura, afirma que chegou a alertar a direção do zoológico sobre a necessidade de utilizar arames mais grossos nas jaulas quando o recinto foi reformado, há cerca de um ano.
O secretário do Meio Ambiente afirma, porém, que o parque segue todas as normas de segurança necessárias para abrigar animais ferozes.
Os tigres foram encaminhados para necrópsia. Eles serão empalhados e devem ser levados para o Museu de História Natural de Cornélio Procópio (PR). A previsão é que o zoológico funcione normalmente hoje, das 8h às 16h.
A última fuga de animais registrada no recinto foi há oito anos, quando um chimpanzé conseguiu escapar e também precisou ser sacrificado.
No final de abril passado, porém, sete placas alusivas a inaugurações de vários recintos do zoológico foram furtadas. As placas retratavam a memória do parque com a identificação dos locais, datas de inaugurações, as administrações e as autoridades envolvidas com cada uma delas, além de fatos interessantes. Até ontem as placas não haviam sido recuperadas.
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Zôo de São Paulo
No início do ano, o Zoológico de São Paulo perdeu 130 animais. Pelo menos 73, entre eles antas, dromedários, chimpanzés e até um elefante, foram vítimas de envenenamento. Até agora, o caso ainda não foi esclarecido.
Exames dos animais mortos revelaram que 73 foram envenenados pela substância fluoracetato de sódio, presente em raticidas ilegais como o “Mão Branca” e o “1080”. A produção e o uso desses raticidas estão proibidos no Brasil. A polícia ainda não conclui o inquérito que apura as mortes. (Ieda Rodrigues)