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Sim, pois é óbvio!


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Lemos em algum lugar ou em algum instrumento - jornal, revista, tabuleta etc, que para ser feliz não é preciso ser sem defeito, qualquer que possa ser, mínimo ou máximo, diminuto, quase imperceptível, pequenino ou grande, visíveis ou não a olho nu. Uma verdade insofismável se detecta aí, pois há no mundo milhões de defeituosos que vivem com a mesma felicidade dos que são felizes, uma vez que o defeito não os torna feios, sendo até bonitos, sorridentes e esfusiantes, lançando-se sem receio a passeios urbanos, viagens ao Exterior e, independente de tudo, trabalhando, exercendo profissões diversas, algumas pesadas e, inclusive, movimentando com mãos e pés veículos de todos os tipos, pesos e tamanhos.

Empunhando bengalas ou empurrando cadeiras de roda, ouvindo ou falando através de gestos - caso evidente dos surdos-mudos - vão eles levando a vida para a frente sem quaisquer desdouros ou empecilhos, não precisando, por isso, sentir-se envergonhados, tristonhos, marginalizados, refugados etc.

No Brasil, quantos são eles? Conforme estatística da Organização das Nações Unidas (ONU) chegam a cerca de 12% da população, sem se incluírem no cômputo os que também o vão se tornando, dia após dia, pois só em São Paulo a média diária de pessoas que ficam paraplégicas ou com outras deficiências físicas, por causa de acidentes de veículos e de trabalho, ultrapassa a casa dos 35. Trata-se de uma faixa de homens, mulheres, jovens e crianças, de cores e semblantes diversos, que de forma nenhuma deixam de ser útil à sociedade ativa, dinâmica, lutadora e, portanto, foge à classificação de “coitadinha” como é injustamente definida e mencionada pelos incautos, que não são poucos.

Assim, não podendo ser considerados totalmente inválidos, têm até direito a reivindicações pessoais, como conseguir empregos, realizar estudos de todos os níveis (primário, secundário e superior), usar estacionamento para seus veículos, empreender embarques e desembarques nos coletivos e muitas outras necessidades adstritas aos normais, entre as quais namorar, casar e ter filhos, porquanto é incontestável que paraplégicos, surdos e mudos, também possuem sentimentos, educação e impulsos sexuais, face ao que fazem da cama o seu berço de amor.

Isso mesmo, por que não, pois é o óbvio, no qual são iguais, salvo exceções, a todos os demais seres, inclusive no coração. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Ninguém se aflija diante das trevas. É que depois do inverno é certa a primavera e não há noite que não ceda à madrugada, nem madrugada que não ceda ao dia”.

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