O crescimento de 1,6% do PIB no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre do ano passado e de 2,7% se comparado com o trimestre análogo de 2003 é, sem dúvida, um bom resultado. Ele é produto do excelente desempenho da agropecuária e do dinamismo das exportações que vêm mantendo um ritmo forte de expansão neste início de ano.
Os dados são interessantes porque também as importações caminham bastante bem e os saldos comerciais continuam robustos. O mês de maio registrou um superávit recorde de US$ 3,120 bilhões no balanço do comércio Exterior. Isso mostra que a economia está reencontrando o rumo do desenvolvimento e criando as condições para reduzir a dependência externa. Se persistir nesse caminho, o governo Lula vai extinguir a vulnerabilidade construída pela desastrosa política econômica de seu antecessor.
A economia está voltando aos trilhos graças aos setores que receberam os estímulos corretos. As exportações porque melhorou o câmbio e a agricultura porque tem recebido um bom suporte do governo e se beneficia dos investimentos feitos no passado pela Embrapa e dos financiamentos do programa Moderfrota que permitiram o duplo efeito de recuperar os equipamentos e aumentar a produtividade de forma importante.
No primeiro trimestre, o crescimento do consumo ainda foi insignificante, de 0.3%, mas isso se deve claramente à lenta recuperação do setor industrial. A indústria ainda se ressente do processo de sucateamento a que foi submetida nos últimos 14 anos. Desde o governo Collor, passando pelo governo FHC, o setor industrial cresceu 1,% ao ano, o que é um resultado tenebroso. Isso mostra que o governo Lula tem que se dedicar ao desenvolvimento industrial para que a economia entre definitivamente nos trilhos.
As projeções de crescimento do PIB de 3,5% este ano, com base no resultado do primeiro trimestre, só vão se concretizar se houver condições para a expansão da produção industrial. O espetáculo do desenvolvimento pode até estar a vista, mas por enquanto o jogo mal começou e o resultado vai depender, portanto, do que formos capazes de fazer daqui para a frente. É preciso recomeçar e sustentar o processo de queda dos juros, sem ficar parado esperando para ver o que o sr. Greenspan vai fazer com os juros americanos, até porque tudo indica que a elevação da taxa vai ser feita cuidadosamente para não atrapalhar a reeleição do Sr. Bush. É hora de “sentar o pau na máquina”, aproveitando os bons ventos da economia mundial.
O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP.