Política

Para Arlindo Chinaglia, Lula reorganiza economia do País

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O líder do governo federal na Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, avaliou ontem em Bauru que os primeiros 15 meses da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Siva foram consumidos na reorganização do País após oito anos de administração tucana. Para ele, o “esforço” está sendo bem-sucedido. Chinaglia se reuniu com lideranças petistas de Bauru para discutir a participação do partido nas eleições municipais.

O parlamentar federal lembrou que o País tem uma dívida de cerca de R$ 1 trilhão. “São compromissos inadiáveis que vencem a cada período. É um processo que se agravou durante o período FHC. A dívida interna em janeiro de 1995 era de R$ 61 bilhões e ao final do mandato de FHC chegou a R$ 700 bilhões”, analisa.

Chinaglia diz que nem mesmo o controle da inflação foi mantido pelo governo tucano na sua reta final. “Em maio de 2003, a inflação já estava em 17%. Isso obrigou o presidente Lula a adotar uma política econômica ortodoxa. Havia o risco Brasil, que chegou a 1.800 pontos e agora está em torno de 700”, observa.

O deputado analisa que esse quadro gerou a crise de desconfiança no Brasil. “Ninguém conseguia um centavo de empréstimo fora do Brasil. Nem o Estado e nem as empresas brasileiras. Essa combinação ficou perversa. Portanto, o balanço que faço desse um ano e meio de governo é o esforço para se reorganizar o País, que está sendo bem-sucedido”, acredita.

Indicador

Chinaglia diz que o principal indicador das dificuldades do Brasil é o nível de desemprego. “É brutal. É conseqüência de uma economia que não cresce há 20 anos. Tem um crescimento médio de 2%. Para este ano, a previsão é de que cresceremos 3,5%.”

Para amenizar essa situação, o líder do governo na Câmara dos Deputados diz que o caminho é a ampliação das fronteiras comerciais do País no mercado internacional.

“O Brasil, antes do Fernando Henrique, detinha 1% do mercado mundial e quando ele saiu isso caiu pela metade. Para se ter uma idéia, após a visita do presidente Lula à Síria, as exportações brasileiras para aquele país aumentaram em 800%. Houve aumento também nas exportações para a Líbia e para onde o presidente viajou”, avalia.

Para o parlamentar, a crítica do vice-presidente José Alencar (PL) da manutenção das altas taxas de juros não faz sentido. “Tem que se levar em consideração que o vice-presidente é um grande empresário, entende de comércio, sabe quais são os interesses que estão em jogo. Mas falta ele dizer que a taxa de juros hoje praticada no Brasil é a menor dos últimos dez anos.”

O deputado declara ter a certeza de que José Alencar sabe que a condução das taxas de juros está intimamente relacionada com a dependência que o País tem com o capital externo especulativo. “Dado ao brutal endividamente que o Brasil foi submetido, precisamos atrair dinheiro para o sistema financeiro com vistas a honrar os compromissos.”

Puxão de orelha

A divisão interna do PT de Bauru também foi abordada pelo líder do governo na Câmara dos Deputados. “Bauru é uma cidade muito importante. Na minha opinião, o PT de Bauru, comparativamente ao de outras cidades do mesmo porte, é um PT que não conseguiu ter o mesmo desempenho que outros municípios. Cabe aos filiados e militantes avaliar com a seriedade devida”, observa.

Chinaglia reconhece que o PT de Bauru tem uma forte tradição de disputa interna. “Uma hora isso cansa. Nada mais apropriado do que discutir os programas reais da cidade. Procurar ver se é possível fazer alianças e entrar para a campanha. A gente só sabe o que é possível depois da gente fazer o que é necessário”, afirma.

Para ele, o PT está atrasado na campanha municipal devido ao rompimento do PDT no acordo que havia sido fechado informalmente no início deste ano.

“Temos que ter a compreensão de que a Estela Almagro, no início da campanha, estará com menos força se tivesse sido lançado o nome do PT anteriormente. Mas aqui tem movimento sindical, tem universidades. O PT é forte nesses segmentos. Os números demonstram isso. O José Genoíno perdeu para o Geraldo Alckmin em Bauru, mas a diferença foi pouca. Portanto, há um potencial. Caberá à direção do partido conduzir politicamente de maneira adequada”, finaliza.

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