A Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), grupo que reúne estudiosos e pesquisadores dos fenômenos extraterrestres, lançou a campanha nacional “UFOs, Liberdade de Informação Já”, pela liberação de documentos oficiais em poder do governo e das Forças Armadas relativos a Objetos Voadores Não-Identificados (Óvnis). O objetivo é ter acesso a informações que possam ajudar no embasamento dos estudos e na divulgação de notícias para a população.
O ufólogo José Rubens Coneglian, coordenador do Grupo Ufológico de Bauru (Grub) explica que, desde a década de 60, o governo brasileiro tem uma política de sigilo de informações, dificultando, assim, o trabalho dos pesquisadores da área. “A gente sabe que os órgãos oficiais estudam e apuram muitos dados, mas eles ficam arquivados e não são nem comentados com os pesquisadores”, destaca.
Segundo ele, essa política atrapalha o andamento de pesquisas e não ajuda no avanço das investigações sobre a vida em outros planetas. “Nós dependemos dos relatos para nos basear e, quanto mais informações tivermos, mais poderemos avaliar os fenômenos que ocorrem”, destaca.
Ademar José Gevaerd, presidente da CBU, ressalta que a campanha visa obter informações principalmente de dois episódios específicos. Um deles é a denominada Operação Prato, ocorrida nos anos de 1976 e 1977.
De acordo com Gevaerd, alguns ufólogos tiveram acesso a um relatório com pouco mais de 200 páginas que descreve minuciosamente experiências de militares da Força Aérea Brasileira (FAB) com óvnis no Pára e no Amazonas.
O outro fato refere-se ao caso denominado “A noite oficial dos UFOs no Brasil”, que teria ocorrido também em 1976. “Chegou ao nosso conhecimento que na noite de 21 de maio daquele ano, três caças da FAB teriam perseguido 21 óvnis no Rio de Janeiro e em São Paulo”, salienta.
Assinaturas
Para sensibilizar o governo, a CBU está realizando um abaixo-assinado através da Internet e da revista UFO, publicação ligada ao grupo, que circula no Brasil e em Portugal. “Já colhemos cerca de três mil assinaturas”, ressalta Gevaerd.
A previsão é de enviar o documento para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para autoridades militares e civis em setembro. “Queremos que eles admitam que estudam ou estudaram o tema e aceitem que os ufólogos conheçam os seus arquivos”, diz o presidente da CBU.
Para Coneglian, o governo prefere manter sigilo sobre o assunto para evitar pânico entre a população ou mesmo para não causar polêmicas religiosas. “Na verdade, quanto mais informações a população tiver sobre o fenômeno, mais tranqüila ela vai ficar. A falta de conhecimento é que gera pânico”, salienta.
Ele lembra que outros países, como o Chile e o Uruguai, já abriram os seus arquivos secretos e mantêm grupos de pesquisa sobre o assunto. “É uma questão científica que deve ser aberta aos estudiosos e às pessoas em geral”, frisa.
Óvnis em baixa
A entidade coordenada por Coneglian, o Grub, possui cerca de 30 associados na cidade. Eles se reúnem esporadicamente para debater o assunto e fazem vigília quando necessário, à espera de avistamento de óvnis.
No entanto, nos últimos anos, houve um “esfriamento” das discussões sobre a vida extraterrestre na cidade. Coneglian diz que isso pode ser atribuído à falta de novos relatos de observações desse fenômeno na cidade. “Quando há avistamentos, cresce a procura pela entidade”, ressalta.
Ele destaca que no mundo há relatos diários sobre o aparecimento de objetos não-identificados no céu, mas que eles não são observados há algum tempo (ele não soube precisar esse período) na cidade.
Coneglian, que analisa os fenômenos extraterrestres há cerca de 20 anos, não desiste. Ele sempre faz vigília, ou seja, fica observando o céu para ver se algo acontece.
Dono de um grande acervo de informações, que reúne de recortes de jornal a fotos e fitas de vídeo que mostram luzes estranhas no céu, Coneglian destaca que os anos de 1996 e 1997 foram marcados na região pelo surgimento de óvnis.
Um dos casos, inclusive, foi documentado por uma equipe de TV de Bauru. O episódio ocorreu em uma fazenda localizada em Duartina. Seis pessoas, incluindo a equipe de reportagem, presenciaram a aparição de luzes no céu por cinco horas.
Segundo o relato do proprietário da fazenda, o objeto tinha aproximadamente 300 metros de comprimento e emitia uma claridade forte, que mudava de cor constantemente. O mistério até hoje não foi esclarecido.
ET de Varginha
Coneglian destaca que, para dar credibilidade a um fenômeno ufológico, o ideal é que ele seja relatado pelo maior número de pessoas possível. “Além disso, quanto mais provas físicas forem apuradas, melhor”, destaca.
Nesse quesito, entram fotos, filmagens e resquícios de radiação ou de áreas queimadas, por exemplo.
Uma prova evidente da visita de seres extraterrestres ao planeta, segundo Coneglian, ocorreu em 1996. O episódio, conhecido nacionalmente como o caso do ET de Varginha, aconteceu em Minas Gerais e teria sido abafado pelo governo para evitar especulações. “Além das crianças, outras pessoas relataram ter visto a nave. Além disso, oficiais que trabalharam no caso não negaram as evidências. Mas as informações tornaram-se sigilosas”, destaca.