Bairros

Por que Bauru tem obras problemáticas?

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos moradores de Bauru devem questionar-se sobre o motivo pelo qual diversas obras inauguradas recentemente pela Prefeitura de Bauru apresentam problemas e necessitam de reparos, mais investimentos e provocam transtornos na cidade, não atendendo ao objetivo para o qual foram planejadas.

São exemplos a ponte Ayrton Senna, que cerca de dois anos após a inauguração apresentou rachaduras e ainda está interditada; o asfalto do trecho duplicado da avenida Getúlio Vargas, que um mês depois de entregue apresentou sinais de desgaste; e os telhados de três escolas municipais, que apresentaram problemas estruturais relacionados à construção e atualmente estão escorados.

Mas, ao percorrer os bairros da cidade observando mais atentamente, não é difícil encontrar, por exemplo, buracos em ruas recém-recapeadas, placas de asfalto e até guias carregadas pelas águas de chuva, entre outros problemas.

A população, que nesses casos vê o dinheiro público sendo empregado com resultados negativos, cobra providências. Claudinei Teixeira de Moura, morador do Jardim TV - bairro onde está localizada uma das escolas que apresentou problemas no telhado -, diz que pretende acionar o Ministério Público.

“Eu acho que é falta de responsabilidade da prefeitura. Deveria ter alguém da administração municipal fiscalizando a obra. Um engenheiro teria de averiguar o tipo de serviço que estava sendo aplicado”, avalia o morador.

De acordo com Moura, a situação gera insegurança no bairro. “Com essas chuvas, as crianças correm risco porque o problema começa a se agravar. Como foi aberta uma licitação para a construção de três escolas, isso merece uma investigação profunda”, expõe.

Joel Isidoro da Silva mora no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) - bairro em que está localizada outra escola com problemas na cobertura. Assim como Moura, ele faz questionamentos sobre os motivos pelos quais as obras apresentam deficiências.

“Eu acho que as escolas foram entregues muito às pressas. Foi muita pressa. Foi um descuido da prefeitura e dos fiscais que revisam as escolas”, observa.

Silva também fala sobre insegurança. “Deveria ser executado um serviço de máxima urgência nas escolas. Elas deveriam ter sido inspecionadas antes e ter passado por revisão adequada antes de ser entregues aos moradores e aos alunos. Com os alunos tendo aula, isso é um perigo”, destaca.

Na região do Mary Dota, onde está localizada a ponte Ayrton Senna, as reclamações também são constantes. Desde que a ponte foi interditada, em janeiro do ano passado, cerca de 30 mil moradores da região estão sendo prejudicados diariamente. Para chegar ao outro lado do rio, eles têm de dar uma grande volta de alguns quilômetros, tendo como alternativa a avenida Rodrigues Alves.

A discussão é polêmica. Quem responde por tais problemas? A quem os cidadãos devem recorrer para cobrar o direito de usufruir de uma obra construída a partir de recursos públicos?

Na opinião do engenheiro Wladimir Coelho, um dos problemas, além da fiscalização precária, é a suposta pressa que a prefeitura teria de inaugurar obras. “Tudo é feito às pressas, na correria. Querem fazer hoje para inaugurar amanhã. Se fazem na correria, fazem mal feito”, diz.

O secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, explica que as empresas contratadas para executar as obras são tecnicamente responsáveis por elas por um período de até cinco anos, estabelecido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).

“A prefeitura, mesmo acompanhando, não é responsável pela obra. Responsável é quem está executando”, justifica.

A prefeitura acrescenta que há dificuldade em identificar eventuais empresas “problemáticas” no momento da licitação e, além disso, que pode haver erros na fiscalização.

“Falhas de fiscalização são passíveis em todas as obras. Mesmo que você fique 24 horas perto, às vezes você pode não perceber um detalhe. Vai muito da empresa. Às vezes, você pega uma que coloca materiais que não são ideais. Mas, às vezes, o problema não é da empresa. É de uma pessoa que falhou em algum ponto”, diz.

Para o vereador José Clemente Rezende (PDT), membro da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal de Bauru, paira uma dúvida sobre os procedimentos empregados pela prefeitura.

“A administração pública não pode ser negligente numa contratação (de empreiteira) a ponto de que o resultado final não seja adequado para uso da população. Isso tudo precisa ser feito com muita responsabilidade”, enfatiza.

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