A volta dos coletores de lixo de Bauru ao trabalho será decidida em assembléia agendada para hoje, às 8h, no Departamento de Apoio Operacional (DAO) da prefeitura. Eles irão votar a proposta feita ontem à tarde pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, em Campinas, para que as atividades sejam normalizadas enquanto se dicute a possibilidade de reajuste salarial para a categoria.
Caso os coletores rejeitem a proposta, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) irá contratar uma empresa terceirizada para garantir o recolhimento de 100% das 210 toneladas de lixo produzidas diariamente na cidade. Desde que a greve teve início, há oito dias, apenas 30% da coleta está sendo realizada, como determina a lei nos casos de serviços essenciais, gerando um acúmulo estimado de mais de 1.100 toneladas de resíduos.
A sugestão apresentada pelo TRT prevê, ainda, estabilidade de emprego de 360 dias para os coletores, discussão sobre a viabilidade de plano de saúde para a categoria e pagamento dos dias parados. As duas partes têm 20 dias para negociar e, se não houver consenso, o tribunal julgará a legalidade da paralisação.
Os coletores da Emdurb integram o movimento grevista dos servidores municipais, que reivindicam 6,5% de reajuste salarial e atualização do valor do vale-compra, de R$ 132,00 para R$ 200,00.
Idelma Corral, diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), que participou da reunião no TRT, diz que esperava uma proposta melhor. “O Tribunal atuou como mediador. Nós esperávamos da administração uma proposta que realmente beneficiasse o trabalhador, ou seja, reajuste”, afirma.
Mesmo que os coletores de lixo decidam retormar o trabalho na assembléia de hoje, a greve continua, segundo Idelma. "Nos demais setores a greve continuará", frisa.
O setor de coleta é um ponto considerado vital pelo comando de greve porque a presença de lixo nas ruas é o principal indício da paralisação. Enquanto os líderes do movimento se esforçam para manter a adesão de 100% dos cerca de 100 coletores, a Emdurb tenta convencê-los a retornar ao trabalho.
Como o impasse já se arrasta há mais de uma semana, a empresa municipal informou, através de sua assessoria de imprensa, que o prazo dado aos grevistas termina hoje e, caso eles decidam continuar de braços cruzados, 70% da coleta serão feitas por uma empresa particular.
Ainda segundo a assessoria de imprensa da Emdurb, uma empresa de Cubatão foi a que apresentou menor preço para realizar o serviço, R$ 64,00 por tonelada coletada. As demais propostas variaram entre pouco mais de R$ 65,00 e R$ 68,00.
O contrato pode ser assinado ainda hoje, mas deve provocar reações imediatas do Sinserm. A entidade já avisou que irá acionar a Justiça por entender que a iniciativa da Emdurb obstrui o direito de greve.
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Rodízio
O acordo firmado há uma semana pelo Sindicato dos Servidores Púlicos Municipais (Sinserm) junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) prevê que cada bairro de Bauru seja visitado pelo menos uma vez por semana pelas equipes de coleta da prefeitura.
Muitas pessoas têm reclamado, porém, que o lixo não está sendo recolhido no dia previsto. “Era para eles terem passado por aqui na quarta-feira da semana passada, mas até agora nada”, reclama a empregada doméstica Roseli Pereira do Nascimento, que trabalha na quadra 20 da rua Alaska, no Jardim Solange.
A assessoria de imprensa da Emdurb reconhece o problema, mas afirma que há duas justificativas. A primeira está relacionada à jornada de trabalho dos coletores, que é de seis horas diárias.
Segundo a Emdurb, é comum os coletores fazerem horas-extras, que são pagas pela empresa municipal. Durante a greve, porém, eles estão orientados a trabalhar apenas seis horas, tempo insuficiente para recolher todos os resíduos.
A segunda justificativa, de acordo com a assessoria de imprensa da Emdurb, é a quantidade de lixo acumulada nas ruas. Os coletores estariam demorando mais para percorrer cada rua e, com isso, menos quadras estariam sendo atendidas dentro das seis horas de trabalho de cada equipe de coleta.