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Falta de sangue pode adiar cirurgias

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O Hemonúcleo de Bauru está operando quase sem estoque. O sangue doado é processado e usado logo em seguida. Das 60 doações diárias, em média, agora são de 30 a 40 devido às baixas temperaturas e a chuva dos últimos dias. Telma Cristina de Freitas, médica coordenadora do Hemonúcleo, diz que há risco de cirurgias eletivas, aquelas que não são de urgência, serem canceladas por falta de sangue.

“Na semana passada, tivemos de adiar algumas cirurgias eletivas com pacientes de tipos sanguíneos mais difíceis, como O negativo. Se os estoques saem dessa normalidade, começamos a ter dificuldade até com sangues mais comuns”, diz a médica.

Além dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de Bauru, o hemonúcleo abastece hospitais de Duartina, Pederneiras, Piratininga e Macatuba. Apesar da crise no hemonúcleo, os hospitais de Base e Estadual ainda não chegaram a cancelar cirurgias por falta de sangue.

A redução de doações no inverno já é esperada, explica Telma. “A doação é um ato altruísta e voluntário, mas no inverno temos problemas em manter o fluxo normal de doadores. O pessoal fica mais preguiçoso, quer ficar mais em casa e deixa de doar. Junta-se a isso o período de férias, em que as pessoas viajam, e os estoques caem”, aponta.

Outro fator que pode estar influenciando na redução das doações é a recente descoberta de superfaturamento na compra de produtos hemoterápicos no Ministério da Saúde. A médica esclarece que o sangue coletado pelo Hemonúcleo não é negociado, vendido ou utilizado para qualquer fim que não seja seu fornecimento para os hospitais.

“Com essa história da Operação Vampiro, as pessoas chegam aqui perguntando se o sangue é vendido, mas esclarecemos que ninguém faz comércio de sangue”, conta. Ela ressalta que, assim como o doador fornece seu sangue gratuitamente, o hemonúcleo o repassa para as instituições. O SUS paga somente pelos exames realizados no sangue coletado.

Para Ana Paula Rodrigues Bueno, que estava no hemonúcleo ontem à tarde, a doação de sangue é um gesto que deveria ser mais incentivado. “Eu venho sempre, esta é a minha segunda vez nesse ano. Acho um gesto muito bonito. As pessoas têm medo de agulha e de injeção mas não dói nada, é rapidinho e não custa nada a gente ajudar”, incentiva.

O autônomo Luiz Henrique Losnak Araújo, que também doou sangue ontem, sugere horários mais amplos para o atendimento. Eu venho sempre que posso. Uma sugestão que tenho é quanto à flexibilização do horário. A gente tem de deixar os afazeres do trabalho e nem sempre é possível vir. Se tivesse um horário aos finais de semana, seria ideal”, comenta.

Telma lembra que todos os doadores recebem um atestado do hemonúcleo, e que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê que qualquer empregado tem dispensa de um dia por ano para doar sangue.

• Serviço

O Hemonúcleo fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, ao lado do Hospital de Base, e funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h.

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