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Pequeninas, mas perigosas


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Escreve-nos um leitor manifestando satisfação pelo artigo em que profligamos o alto custo dos aluguéis de prédios residenciais autônomos, face ao que famílias carentes se vêem na contingência de se acomodarem em cortiços, muitas vezes, tendo vizinhos incômodos. Acrescenta o missivista que não apenas os maus vizinhos tornam inóspitos os cortiços que possuem. E aduz destacando que conspiram também contra tais moradias alguns aspectos de insalubridade, entre eles a presença das caranguejeiras que, em bom número, procuram, igualmente, morar ali, como que tendo nas pessoas suas boas companheiras.

E, para quem desconhece a verdadeira índole e as predisposições das aranhas, adverte-se de que a maior parte delas são perigosas, principalmente as pequenas, denominadas armadeira, tarântula, marrom e viúva-negra. A primeira é bem conhecida por não fugir da raia quando encurralada, colocando-se em posição de ataque. É perigosa por ter o costume de invadir as casas ao anoitecer, o que acontece também com a tarântula, cognominada de aranha errante porque não constrói teias. A marrom faz as suas moradas, ainda que irregulares, em locais escuros, enquanto a viúva-negra é facilmente reconhecível por seu abdôme redondo, grosso e preto e porque, no Brasil, ela habita somente nas praias dos Estados do Rio de Janeiro e Bahia.

Dados tecnológicos afiançam que já foram catalogadas mais de 33 mil espécies de aranhas, que se espalham por todos os continentes, sendo o Brasil o país que conta com o maior número dessas “meninas”, dotadas de extremidades segmentadas, pernas articuladas e corpo revestido por uma cutícula rica em quitina. As caranguejeiras gigantes habitam preferencialmente as fronteiras de Brasil com Venezuela. O som que todas as espécies emitem é produzido pelo atrito das polpas contra o primeiro par de pernas. Atestam as estatísticas que só em São Paulo cerca de duas 2 pessoas, maioria crianças, procuram anualmente os médicos especializados para tratamento das picadas, o que leva à conclusão de que são incalculáveis os números nacionais que o problema traz à população.

Todas as aranhas são temidas, embora nem todas apresentem igual agressividade. Entretanto, umas e outras exigem cuidados, como os que vigem os aluguéis prediais, não é mesmo prezado leitor?

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Não conheçam os roteiros humanos o engôdo, a calúnia, a opressão, a covardia e nem a intolerância, a injúria, a usura, a infâmia, a concupiscência, a mistificação, a hipocrisia, a perversidade, a inveja e a adulação”.

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