Cultura

Música: Acústico do Ira! soa inédito

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

A escolha das músicas para compor o 12.º álbum do Ira!, “Acústico MTV Ira!”, da Sony, fez o disco ganhar um ar de novidade incomum para um lançamento da bem sucedida série da emissora. Até então, a “fórmula” adotada por cantores e bandas ao gravar um acústico era rearranjar os seus “greatest hits” para o formato. Inéditas? Só uma aqui outra ali. O “Unplugged”, de Gilberto Gil, por exemplo, gravado há 10 anos e que realmente colocou o gênero acústico no mercado nacional como sinônimo de sucesso, não tinha nenhuma inédita.

O disco do Ira! tem cinco músicas novas (incluindo-se aí “Pra Ficar Comigo”, uma versão de “Train Vain”, do Clash - o DVD traz ainda “Muito Além do Jardim”) mescladas num grupo de canções menos conhecidas do quarteto, o resultado é bom porque, ao causar essa “confusão” na cabeça dos menos informados sobre a banda, o grupo acaba soando uniforme entre o velho e o novo, o que não deixa de ser uma boa para uma banda com 23 anos de estrada.

A primeira música de trabalho, “O Girassol”, é boa, assim como “Por Amor” (de Zé Rodrix), a segunda. Ambas devem tocar bastante nas rádios até o fim do ano, assim como as “novas” versões de “Dias de Luta” (que tem uma deliciosa sonoridade flamenca na introdução e no final), “Tarde Vazia” (com Samuel Rosa no vocal) e “Envelheço na Cidade”, na qual o Ira! tem a companhia dos Paralamas do Sucesso. O disco ainda traz regravações dos “lados B” “15 Anos”, “Rubro Zorro” e “Boneca de Cera” e o hit “Flores em Você”.

É no setor convidados - outra marca registrada dos acústicos da MTV - que o disco deixa um pouco a desejar. Pitty não empolga em “Eu Quero Sempre Mais”, passando a impressão de que lhe faltou voz, e Samuel Rosa, como lembra o jornalista João Pedro Feza, fã incondicional da banda, canta como se fosse o Nasi dos anos 80, deixando a nova versão quase idêntica à gravação original e anulando a sua própria presença. Mas é a participação especial dos Paralamas que decepciona mais.

Armada para ser uma surpresa, a união das duas bandas no palco (feito inédito nos acústicos, segundo Nasi) poderia ter sido melhor aproveitada se Herbert Vianna tivesse tido a oportunidade real de soltar a voz. Do jeito que ficou, ao paralama restou uma segunda voz incômoda. Só no vídeo o encontro funciona, já que atualmente é sempre emocionante ver Herbert em ação.

No final das contas, o CD produzido pelo polivalente Rick Bonadio (que tem no currículo os discos dos Mamonas Assassinas e do Rouge, entre outros tantos) mostra uma banda de quarentões que ainda têm pique para fazer (bem) rock ‘n roll. Basta.

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