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A espada de Dâmocles


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Recentemente, noticiou-se que a rede terrorista Al-Qaeda está ativa e tão forte como sempre foi, muito bem financeiramente e com cerca de 18 mil agentes, espalhados por 60 países e prontos para empreender uma ação terrorista de peso. Os EUA acabam de alertar a população sobre a iminência de um novo ataque de grandes proporções, a partir do início do verão no hemisfério norte e até meados de setembro. Não se sabe como as autoridades daquele país podem ser tão precisas, se nem foram capazes de detectar a proximidade do atentado de 11 de setembro. Talvez estejam agindo por precaução. Assim, se algo de ruim acontecer, podem dizer que avisaram. Se nada houver, tanto melhor. Mas é uma advertência vazia: cuidado, pode haver um ataque, não sabemos onde, nem quando exatamente, nem como. Pode ser com o uso de aeronaves ou a bordo de um grande navio turístico ou por qualquer outro meio. Traduzindo melhor, equivale a dizer: sentimo-nos indefesos, apesar de todo o aparato preventivo empregado.

O pior inimigo é o fator surpresa, que é exatamente o grande aliado de Ossama Bin Laden. E o mais indesejável dos mundos é a incerteza, que, como uma espada, paira sobre nossas cabeças. O fato é que, sabendo que esta quantidade enorme de pessoas, dispostas a tudo, está espalhada pelo planeta, ninguém pode se sentir seguro, seja física ou economicamente, uma vez que um atentado de grandes proporções em qualquer lugar do mundo abalaria a economia global, em escala talvez até maior do que em 2001. Afetaria bolsas, renda fixa, risco-país, taxa de juros, preços dos produtos de exportação e importação, a inflação e muitas outras coisas. Isto porque é bem provável que a sede de vingança seja muito maior agora, depois da invasão do Iraque e da humilhação a que aquele povo foi submetido.

Se os EUA controlam suas fronteiras com rigor, - o que não significa que isto seja impedimento para a entrada de agentes do terror - o mesmo não se pode dizer de outros países, dentre estes 60 nos quais se acredita estar presente a organização. Nós, que estávamos acostumados a ver guerras e carnificina só do outro lado do Atlântico, após o ataque contra a torres gêmeas, temos agora que nos acostumar com a real possibilidade de sermos a bola da vez. Não exatamente o Brasil, mas qualquer outro país destas bandas.

Porque o inimigo é invisível, insidioso, está em todas as partes e em nenhuma ao mesmo tempo. Foi assim que despontou novamente ao explodir os trens na Espanha, a qual, depois disto, de cabeça baixa, retirou suas tropas do Iraque. Mais uma vez, Bin Laden venceu. Estamos lidando com profissionais que não atribuem grande valor às suas vidas, porque dentro de seu fanatismo acreditam que estão fazendo a coisa certa, obedecendo a voz de seu Deus, que os irá recompensar com o paraíso. Morrem por várias razões a um só tempo: o ódio, a adoração divina e o desejo de uma glória que presumem eterna.

Competentes em seu ofício maligno, agiram com uma estratégia digna dos melhores guerreiros, uma precisão cirúrgica no caso do World Trade Center. Magistralmente, deixaram o gigante do norte, e por tabela, o resto do mundo, de joelhos. Se antes acreditavam que tinham motivos para fazer o que fizeram, o que dirá hoje, depois de tudo o que tem acontecido no Oriente Médio. A frase “A espada de Dâmocles” é utilizada desde a Antigüidade para expressar a presença de um perigo iminente ou de uma ameaça.

O autor, Luiz M. Leitão da Cunha, é administrador e consultor de investimentos - e-mail: lleitaodacunha@aol.com.

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