Com o término da greve dos servidores do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) na última segunda-feira, os segurados que procuraram a agência da Previdência Social em Bauru, na quadra 1 da rua Azarias Leite, têm encontrado outro problema: as filas e a demora no atendimento. Após pouco mais de um mês com atividades restritas a casos urgentes, a procura pelos serviços da agência tem sido intensa, mesmo com o esquema especial de atendimento ao público.
Ontem pela manhã, a dona de casa Josina Rosa Custódio mostrava irritação ao completar mais de duas horas de espera do lado de fora da agência. “Isso é muito cansativo. Eu detesto vir aqui porque tenho de enfrentar a fila apenas para pedir uma informação sobre alguns documentos. Eles poderiam mudar o esquema de atendimento, fazer uma sala só para informações”, aponta.
Uma segurada que preferiu não se identificar conta que esteve na agência anteontem e que, mesmo com o frio, o público teve de esperar na fila do lado de fora. “A fila é democrática, mas as pessoas deveriam ter permissão para aguardar dentro da agência. Se em dias de frio já é difícil, imagina em dias de chuva! Sabemos que o pessoal estava em greve e que vamos encontrar filas, mas eles deveriam facilitar para os segurados, e não deixar todo mundo naquela situação humilhante”, ressalta.
Para o auxiliar mecânico Paulo César Thomaze, que aguardava na fila para dar entrada no pedido de auxílio-doença, a distribuição de senhas para o público seria uma alternativa à longa espera na fila. “Sem senha é difícil, porque a gente tem outras coisas para fazer, não podemos perder a manhã toda aqui. Eu sou novo, mas há muitas pessoas de idade que vêm até a agência e tem de ficar esperando em pé. Pelo menos eles deveriam entrar e sentar”, ressalta.
De acordo com o gerente-geral do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira Filho, foi adotado um sistema de emergência para o atendimento ao público nas primeiras semanas após o fim da paralisação. Aproximadamente 90% dos servidores estão atuando no atendimento.
Ele esclarece que por volta de 7h15 começam a ser distribuídas senhas para os segurados que já estiverem aguardando na agência. Os casos com atendimento rápido, como liberação e desbloqueio de pagamentos, baixa de segurado por óbito e acerto de cadastro, também são encaminhados para os atendentes.
“Distribuímos senhas e colocamos dentro da agência as pessoas que vão somente fazer o protocolo, para serem atendidos na primeira hora. O restante é dispensado e volta às 9h, quando já temos espaço para o pessoal entrar e começar a ser atendido. Fazemos esse rodízio até esgotar o atendimento do dia, e começamos a agendar os atendimentos do dia seguinte”, diz.
Moreira Filho explica que o sistema de senhas não é utilizado com freqüência e nem para todos os segurados, para evitar o comércio dos números. “Isso estava começando a acontecer quando paramos de distribuir as senhas. Agora, queremos evitar que isso volte”, comenta.
O gerente-geral do INSS concorda que as filas são desagradáveis, porém, ressalta que a agência da Previdência Social está instalada em um prédio que não comporta uma grande quantidade de pessoas em seu interior. A agência conta com pouco mais de 50 assentos para o público.
“A orientação que os servidores receberam é para retirar as pessoas mais idosas, gestantes e deficientes da fila e acomodá-los dentro da agência. Infelizmente, os demais precisam aguardar porque não é possível abrigar todo mundo, e o que não queremos é provocar tumulto com o público”, conclui.
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Reajuste
Os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciaram o movimento grevista em todo o País em abril, com reivindicações de reajuste salarial de 47,11%, realização de concurso público para a contratação de novos profissionais e alterações no plano de carreira. Em Bauru, a adesão parcial dos funcionários ocorreu no dia 27 de abril.
No último dia 2, a Federação Nacional dos Servidores da Previdência Social (Fenasp) assinou com o governo um acordo que prevê reajuste de 12% a 32% para os servidores da ativa e de 9% a 29% para os inativos, além de abono salarial de R$ 184,00 para todos e garantia de que os dias parados não serão descontados dos grevistas.