Bairros

Casos aproximam Bauru de Araçatuba

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O 8.º caso de leishmaniose confirmado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde refere-se a uma criança de 10 meses residente na Vila Dutra. Com a contaminação dela, o número de casos em Bauru quase empata com os nove registrados em Araçatuba, município que desde 1999 vive uma epidemia e que ocupa a primeira colocação no ranking da doença no Estado de São Paulo neste ano.

“Eu não tenho bola de cristal, mas tenho profetizado que o número de casos em Bauru vai aumentar. Eu tenho recebido pacientes de outros bairros (fora aqueles que já são foco da doença) que tinham cães com diagnóstico de leishmaniose. Se tivermos a mesma incidência que Araçatuba, vamos ter mais casos aqui em números absolutos do que lá, porque a cidade é maior”, prevê o infectologista Fernando Monti.

Ele acompanhou o tratamento de dez pacientes com a doença em Bauru, assim como fez em Araçatuba o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de lá, Sérgio Irikura.

“Provavelmente Bauru vai ultrapassar Araçatuba porque o problema ainda é recente (em Bauru). Até que as medidas de prevenção estejam prontas e a população se conscientize, o número deve subir”, supõe Irikura.

De acordo com ele, Araçatuba registrou 15 casos em 1999, ano em que a doença começou a ser notificada na cidade. Atingiu o pico de 52 casos em 2002 e conseguiu reduzir para 41 no ano passado. Para isso, a cidade de cerca de 170 mil habitantes tem à disposição 140 profissionais trabalhando no controle da doença.

Em Bauru o total de pessoas alocadas para fazer o serviço é de 122. Há uma semana, o número não passava de 80 funcionários, entre agentes de controle, agentes de saneamento, motorista e veterinário. Eles fazem a coleta do sangue de cães e a vistoria do meio ambiente.

O mosquito palha, transmissor da doença, procria-se em material orgânico em decomposição. Para controlar a expansão da doença o DSC vai desenvolver um projeto piloto na escola estadual Guia Lopes, na Vila Dutra, a partir do Programa Escola da Família.

Na primeira etapa, alunos que exercerão a atividade de monitores serão capacitados em relação à leishmaniose. Gincanas e peças teatrais serão instrumentos de educação neste processo. Na segunda fase, explica Abreu, a apresentação das peça será estendida e será realizado um trabalho nas casas do bairro.

“Também estamos com uma ampla campanha pronta, que só depende de um sinal do prefeito (Nilson Costa)”, acrescenta a diretora do DSC. De acordo com ela, esta campanha será promovida por meio de um convênio firmado junto ao Fundo Nacional de Saúde.

Comentários

Comentários