Cultura

Brasil eletrônico

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

A cantora e compositora paulista Fernanda Porto estourou no cenário da música brasileira há dois anos sendo considerada pelos críticos e pelo público como a diva brasileira do drum’n’bass. O ritmo inglês, originalmente eletrônico e caracterizado por baterias e baixos profundos, está presente nas canções “Sambassim”, composição de sua autoria e remixada pelo DJ Patife, e em “Só Tinha de Ser Com Você”, clássico de Tom Jobim.

Ambas as canções foram incluídas no disco de estréia de Fernanda (que leva seu nome), invadiram as rádios e pistas de dança e contribuíram para que a artista se consagrasse como um dos ícones da música eletrônica da atualidade.

A cantora, que se apresenta amanhã, a partir das 22h, na Cervejaria dos Monges, continua fazendo jus ao título, mas garante que, apesar de ser fiel representante do drum’n’bass, realiza um trabalho diversificado, que passeia por outros gêneros musicais, como a MPB.

“Em 1997 eu conheci o drum’n’bass, em 1998 fui para Londres pesquisá-lo e em 2000 eu estava com um CD demo inteiramente de drum’n’bass. Mas hoje em dia acho legal porque meu público me conhece como um todo”, diz a cantora em uma entrevista concedida por telefone ao Jornal da Cidade.

Formada em composição e regência e canto lírico, Fernanda é multiinstrumentista. Toca piano, violão, guitarra, saxofone, percussão e cria seus próprios arranjos no computador, utilizando samplers e gravação digital, entre outros recursos tecnológicos. “Não faço música eletrônica pura ou mesmo música de pista, sou uma compositora e cantora de música brasileira com roupagem eletrônica”, define.

Com mais de 15 anos de carreira, Fernanda teve a MPB como ponto de partida no início da década de 90. Mas, entre 1993 e 1994, ela se aproximou do pop. “Fiz uma série de shows nessa época, tocava músicas próprias e canções de Lobão e Titãs”, lembra a cantora, que também gosta do funk. Anos mais tarde, a artista conheceu o drum’n’bass e ao mesmo tempo, voltou para a MPB.

“Passei por vários ritmos e resolvi assumir o drum’n’bass. Enfrentei preconceito no começo porque na época não haviam letras nas músicas de drum’n’bass, mas tive sorte de encontrar alguns DJs, como o Xerxes de Oliveira, que me ajudaram bastante”, conta Fernanda.

Ela venceu essa barreira e foi uma das primeiras cantoras brasileiras a unir, com muita qualidade, letras nacionais e batidas eletrônicas. Isso sem esquecer de colocar ritmos diversificados em suas canções. “Outro dia fiz uma música que é uma marcha de Carnaval, tenho um blues, uma música versão maracatu e recentemente fiz uma valsa”, detalha Fernanda.

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