Turismo

O lado chique da serra

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Sopa de capeletti in brodo, galeto ao primo canto, rodízio de foundue, edredons de pluma de ganso...

Os prazeres da Serra Gaúcha são infinitos. Principalmente para quem pode se hospedar e comer em lugares estrelados, que recebem todos os anos “vips” de todas as partes, incluindo participantes do Festival de Cinema de Gramado.

Recebendo 2 milhões de turistas ao ano, Gramado se especializou na arte de bem receber. Por isso, conta com cantinas, pousadas e hotéis primorosos, onde o aconchego é constante.

Caso do Hotel Serrano, situado no alto de uma colina e emoldurado por uma paisagem deslumbrante, lugar escolhido para as estréias de alguns filmes que concorrem ao Kikito de Ouro. Dotado de toda a infra-estrutura de um hotel de luxo, o Serrano conta com calefação, serviço de quarto silencioso, piscina térmica coberta e na área gastronômica restaurantes premiados: Spazio Serrano, Tuna Zushi Bar, Maggiore Lounge Bar e Garda Restaurante.

Perto dele, descendo-se a íngreme ladeira que leva à avenida Borges de Medeiros, funciona uma das melhores cantinas da serra: a Taverna del Nonno-Nonno Mio Bar, que oferece uma infinidade de pratos típicos da serra. Todos acompanhados de vinho ou de cerveja alemã que deve ser degustada em taças de mais de meio metro de altura, especiais para receber três grãos de arroz arbório que se encarregarão de tornar sua espuma mais abundante.

A taverna pertence à família Andreis, que buscou na sua história pratos típicos, dando continuidade à tradição culinária de décadas. Essa tradição que envolve gastronomia e hospedagem é responsável pelo sucesso que a Serra Gaúcha tem entre os turistas de todas as partes do Brasil.

Grama macia

A hospitalidade de Gramado está intimamente ligada à sua história. No passado, o município servia de passagem para tropeiros que tocavam o gado pelos campos de cima da serra, no fim do século 19, rumo a Sorocaba, no Interior paulista.

Quando chegavam ao topo da serra, cansados e com muitos quilômetros ainda a seguir, encontravam um pequeno campo de grama macia e verde que servia de repouso e revigorava suas forças. Esse gramado, segundo alguns historiadores, foi responsável pelo batismo da cidade.

A colonização de Gramado remonta a 1875, quando chegaram a região o desbravador Juca Lageano e os portugueses José Manuel Correa e Tristão de Oliveira. Cinco anos depois, instalam-se na serra os primeiros imigrantes alemães, João José Rath e Henrique Wassen, que elaboraram o primeiro mapa da região.

Na mesma época fincaram suas raízes em Gramado, vindos da região de Caxias do Sul, os primeiros imigrantes italianos.

Uniram-se na construção da cidade, casaram-se e constituiram família e passaram a desenvolver as tradições culturais dos descendentes europeus, misturando aspectos do gauchismo.

"Strudel e maccheroni"

O resultado pode ser encontrado ainda hoje na culinária variada (italiana e germânica) e na arquitetura do município que segue em sua maior parte o estilo enxaimel (alemão).

Além da arquitetura, os imigrantes alemães repassaram para as gerações que se seguiram, o gosto pelo cultivo de flores. Por isso, em qualquer canto da cidade há lagos e jardins emoldurados por elas. Na Primavera e Verão, a exuberância fica a cargo das hortênsias, enquanto no frio as azaléias tomam conta do lugar enfeitando parques, avenidas, ruas e as soleiras das casas.

Os germânicos também ensinaram aos primeiros moradores da serra a arte da fabricação de uma infinidade de tortas, geléias e compotas (schmieren); da cerveja caseira (spritzbier) e da confeitaria (apfelstrudel).

Dos italianos veio a tradição de fazer e beber vinho, a produção artesanal de queijos, salames e do macarrão (maccheroni), que fazem partes de todas as cantinas da serra.

Heranças que continuam vivas na parte chique e na área rural de Gramado, atraindo cada vez mais gente para aquele rincão gaúcho.

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