Jaú - O feriado de Corpus Christi foi marcado em Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) por duas ocorrências que envolveram crianças. Uma delas morreu atropelada pelo avô. A outra teve ferimentos leves, mas a pessoa que a segurava no colo morreu, também atropelada.
Entre um acidente e outro, a diferença foi de quatro horas. O primeiro ocorreu na Fazenda Santa Rosa, por volta das 14h30. José Matos dos Santos, 53 anos, voltava da cidade, onde foi levar um dos netos ao hospital.
Quando chegou em casa, por um motivo ainda a ser investigado pela polícia, ele perdeu o controle da Belina, atropelou um outro neto e, em seguida, chocou-se contra o muro.
O menino Carlos Daniel Curpi, 4 anos, ficou com o corpo preso entre o veículo e o muro. Ele foi imediatamente socorrido pelo avô, que o levou para a Santa Casa de Jaú, onde chegou sem vida.
Mais tarde, a polícia descobriu que a Belina estava com o licenciamento vencido e avô não tinha habilitação para dirigir. O veículo foi recolhido ao pátio da Ciretran.
Santos deverá responder em liberdade por homicídio culposo (sem intenção de matar) e por dirigir sem carteira de habilitação.
A pena varia de dois a quatro anos de detenção, podendo ser aumentada de um terço à metade por causa da falta de habilitação para dirigir.
Manobras perigosas
Ainda anteontem, por volta das 18h45, outro atropelamento seguido de morte foi registrado em Jaú.
De acordo com o relato feito por testemunhas à polícia, o mecânico Mauro Celso da Silva teria saído de um bar, no Jardim Pedro Ometto, dirigindo o Passat placas BJJ 6482 em alta velocidade e fazendo manobras perigosas.
Na rua Eugênio Zago, no mesmo bairro, ele perdeu o controle do veículo e subiu na calçada, onde estava Rosina Lopes Barbosa, 63 anos.
Ela carregava no colo Julio César dos Santos, de apenas dois meses de vida. Ambos foram atingidos pelo veículo.
Rosina teve fratura no braço, na perna e na cabeça. A criança, no entanto, não foi ferida com gravidade.
Após o atropelamento, o mecânico fugiu do local, novamente em alta velocidade, segundo relato das testemunhas, mas não andou muito e acabou batendo em um poste. Os moradores, revoltados, ameaçaram linchar o motorista, que foi preso em flagrante após a chegada da polícia.
Rosina foi socorrida à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 3h30 de ontem, em decorrência de politraumatismo (graves ferimentos em várias partes do corpo).
A criança também foi levada ao Pronto-Socorro, passou por radiografia e, em seguida, foi liberada. Nem a polícia nem o hospital souberam informar se a vítima e a criança tinham algum grau de parentesco entre elas.
O mecânico, por sua vez, será indiciado por homicídio culposo (artigo 302 do Código Nacional de Trânsito) e por conduzir veículo automotor na via pública sob a influência de álcool ou de substância de efeitos semelhantes, expondo a risco outras pessoas (artigo 306 do mesmo código).
No primeiro caso, o acusado poderá ser detido por um prazo que varia de dois a quatro anos, ter a carteira de habilitação suspensa ou até mesmo ser proibido de voltar a dirigir um veículo.
A pena de prisão é aumentada de um terço à metade quando o acidente é registrado na calçada e quando o acusado não presta socorro à vítima.
No segundo caso, a pena é parecida. Só o tempo máximo de prisão aumenta para três anos. Sem ter dinheiro para pagar fiança de R$ 1 mil, o mecânico foi levado para a Cadeia Pública de Barra Bonita.