O frio chegou antecipado e fez com que os casacos fossem retirados do armário. Neste inverno, a vedete é trenchcoat, que virou febre depois de ser usado pelo ator Humphrey Bogart no filme “E o vento levou...”. As jaquetas acolchoadas e coloridas também invadiram vitrines de moda jovem e os ponchos também deram o ar gracioso pela noite.
Vale tudo para se proteger do frio, seja em qualquer intensidade ou ocasião. Seja num momento esportivo matutino ou numa festa chique altas horas da noite.
A história dos casacos se perde no tempo. A Idade Média marca o uso dos casacos pesados de lã e de peles. As guerras trouxeram os sobretudos e os blusões de pilotos. Nos anos 50, os ingleses deram forma aos ternos e blazers bem cortados e com diferentes formas de abotoar. Do outro lado do oceano, a geração rock usava couro e zíperes em jaquetas que sobreviviam nos corpos mesmo detonadas como os jeans que viriam tempos depois.
Mudam os tempos e as modas, mas os casacos continuam sendo a tônica da moda nos dias frios.
Na edição de inverno da São Paulo Fashion Week, Ricardo Almeida apresentou de jaquetas esportivas ao fino smoking summer com direito a gola de pêlo, Marcelo Sommer usou e abusou das notas coloridas dos boleros; Alexandre Herchcovitch vazou as costas de redingotes femininos; Ronaldo Fraga costurou gravatas nos paletós; Fause Haten apresentou longas capas de princesas japonesas; Reinaldo Lourenço abusou das peles recortadas e aplicadas; e Jum Nakao transformou parkas, pelerines e capas em peças multiuso.
Para quem não imaginava que um simples casaco pudesse mudar tanto de nome, forma e tecido, um pequeno dicionário vai localizar cada peça do seu guarda-roupa no seu tempo e lugar.
Abrigo: É um blusão de algodão pesado ou de fibras sintéticas, com caráter mais informal, com fecho em zíper, geralmente usado por atletas.
Blazer: É um paletó com abotoamentos centrais e lapelas dobradas. Inicialmente usado por homens, no começo do século 20, foi incorporado pelas mulheres a partir dos anos 20.
Blusão: Jaqueta de comprimento até os quadris, possui um cordão na barra que forma um franzido e é originário da vestimenta dos esquimós e das roupas à prova de vento e água, usadas nas expedições às geleiras polares.
Blusão de aviador: Um pouco mais curto - vai até a cintura - e ajustado na barra, possui um corte amplo nos ombros, mangas e bolsos.
Bolero: É um casaquinho curto aberto de origem espanhola.
Cabã: Casaco cujo comprimento chega aos quadris e cujo corte é generoso. Possui grandes punhos dobrados e foi muito usado nos anos 50.
Capa: Peça solta que cobre os ombros e desce até os quadris, joelhos ou tornozelos. Foi moda na década de 60.
Capa de chuva: Tem a mesma base de um trenchcoat (mais solta, com amarração na cintura e lapelas largas), porém é feita de material impermeável.
Cardigã: Paletó de malha de lã adaptado ao sportswear com uma estrutura seca.
Casaca: Este paletó é usado em trajes formais, possui a frente mais curta e uma longa cauda atrás.
Gibão: Casaco usado por operários, tem comprimento até os quadris, ombros largos e é feito de sarja ou lã. Seu charme eram os reforços de couro nos cotovelos e ombros.
Guarda-pó: Casaco leve e comprido, com grandes bolsos frontais.
Japona: Paletó-jaquetão pesado com seis botões e comprimento até os quadris, muito usado por operários até ser popularizado por Chanel nos anos 20 e, posteriormente, glamourizado por Yves Saint Laurent.
Jumper: Casaco curto tipo saco com gola estreita virada para baixo e abotoamento até o pescoço.
Mantô: Capa volumosa acompanhada, ou não, por um capuz.
Paletó: Casaco com bolsos externos, comprimento até o quadril e com variações no número de botões. Acinturado, é usado em situações mais formais.
Paletó de montaria: É mais amplo que o paletó comum, principalmente a partir da cintura, que se abre para permitir conforto na prática do esporte. Possui também um talho atrás.
Parka: De corte mais solto, esse agasalho pode vir ou não com capuz e é feito, geralmente, de tecidos mais leves.
Penhoar: Originário do século 16, era usado pelas mulheres em situações íntimas. Compridos, possuíam mangas de diversos comprimentos e eram feitos com tecidos leves, como algodão.
Poncho: De origem sul-americana, é feito de tecido grosso, especialmente lã, a partir de um retângulo ou um quadrado de tecido, com uma abertura apenas para a cabeça.
Redingote: De um vestido do século 19 transformou-se em um casaco bem cortado, fazendo a curvatura das saias com armações do período. Corte conhecido como “linha princesa”.
Robe: O roupão, peça usada entre trocas de roupa, originou-se do penhoar. É comprido e possui amarração na cintura ou abotoamento até os joelhos.
Safári: Esta jaqueta possui diversos bolsos grandes com abotoamento e é originária das savanas africanas.
Smoking: Para ocasiões formais, é um paletó bem talhado, feito sob medida e cujas lapelas são confeccionadas em seda, veludo ou brocado.
Sobrecasaca: Adaptada de um casaco militar, esta peça possui lapela larga, comprimento até os joelhos e corte atrás.
Spencer: Usado pelos homens ingleses no século 18, o spencer é um casaco curto até a cintura, e geralmente de corte reto.
Summer: É um smoking branco.
Trenchcoat: Usado como capa de chuva ou como um sobretudo, é amplo, amarrado na cintura formando a silhueta “Y” e pode ter bolsos.