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A.A. faz 30 anos de resistência em Bauru

Adilson Camargo (*)
| Tempo de leitura: 2 min

Em dezembro deste ano, o grupo de Alcoólicos Anônimos (A.A.) estará completando 30 anos em Bauru. Não existem estatísticas de quantas pessoas passaram pelas reuniões durante esse período, no entanto, uma coisa é certa: a frequência vem aumentando ano a ano e não seria pelo aumento de dependentes, mas pela iniciativa cada vez maior de se procurar ajuda.

O que antes era restrito, não por vontade de seus membros, apenas aos homens, hoje serve de apoio também às mulheres e jovens, embora numa porcentagem ainda tímida.

As estatísticas só começaram a ser feitas no A.A. de Bauru a partir deste ano. A média verificada é de 18 pessoas por reunião e cerca de 500 durante um mês inteiro. As reuniões são diárias.

A cada mês, em média, sete novos dependentes procuram o grupo em busca de ajuda. Segundo Osório (a identidade completa dos participantes não é revelada), membro de A.A. desde 1982, o alcoolismo é uma doença que não tem cura, mas pode ser controlada.

Ele lembra que na época em que foi inaugurada a primeira sede do grupo em Bauru, o problema era tratado com internações em hospitais psiquiátricos.

Segundo ele, nas reuniões diárias são relatadas experiências dos membros com o alcoolismo. Por exemplo, como começou o vício, como chegaram até o A.A. e como estão vivendo atualmente. Nesses relatos, são revividas as frustrações e também a vitória sobre a bebida.

Um dos segredos para o dependente obter sucesso contra o vício, segundo Osório, é ele ser honesto consigo mesmo. “Tem que haver sinceridade no desejo de se recuperar. A pessoa tem que querer parar”, aconselhou.

Aliás, esse é um dos requisitos para ser aceito como membro de um grupo do A.A.. Não é preciso pagar taxas nem mensalidades, mas ter vontade sincera de se recuperar do vício. Osório lembra que o mais importante, o método mais eficaz, é evitar o “primeiro gole”. “O alcoolismo é uma doença e não um vício. Além disso, não tem cura”, afirmou.

Entre aqueles que procuram o A.A. pela primeira vez, apenas 5% conseguem permanecer no grupo por mais de um ano. O restante desiste no meio do caminho e muitos voltam a beber descontroladamente.

Em seu estágio mais avançado, o alcoolismo pode levar a alucinações, que muitas vezes têm desfechos trágicos. Osório conta que um dependente chegou a matar a própria filha pensando que ela era um leão que estava andando dentro de casa.

Pode parecer exagero, mas ele garante que essas alucinações realmente acontecem e um alcoólatra sabe disso.

A.A. não tem ligação com nenhuma religião, partido político, organização ou instituição. O propósito único do grupo, segundo seus membros, é manterem-se sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade.

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