A pavimentação em Bauru começou com paralelepípedos, no dia 1 de agosto de 1924, na gestão do então prefeito capitão José Gomes Duarte. O calçamento teve início na rua Batista de Carvalho, que terminava na rua Antônio Alves.
Em 1927, foi a rua 1.º de Agosto que recebeu paralelepípedos e, posteriormente, a rua Araújo Leite.
“Antes, tudo era paralelepípedo. Principalmente o Centro. O asfalto veio bem depois”, afirma o engenheiro Delmar Batista dos Santos, da Secretaria Municipal de Obras.
De acordo com o projetista Adelmo Bertussi, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o paralelepípedo alcançou uma grande extensão em Bauru. Do Centro, foi para bairros como Vila Falcão e Jardim Bela Vista, entre outros.
O solo arenoso de Bauru dificultava o tráfego de veículos. Daí a necessidade de um calçamento. “A circulação dos ônibus é que foi trazendo mais paralelepípedos para a cidade”, diz Bertussi.
“A rua Batista de Carvalho e a 1.º de Agosto, por exemplo, eram um areião. Não se conseguia andar porque tinha muita areia. Na Praça Machado de Mello, a areia só permitia passagem de carroças. Os caminhões não chegavam. Não dava para andar. Foi na década de 20 que começaram a aparecer os carros motorizados e tiraram a areia para colocar paralelepípedos”, acrescenta Santos.
As travessas da avenida Rodrigues Alves receberam paralelepípedos até a altura da rua 15 de Novembro, sem alcançar a avenida Duque de Caxias. Já a rua Floresta, no Parque Vista Alegre, foi calçada com paralelepípedos em 1952.
Asfalto
O asfalto veio somente em 1942 e começou pela avenida Rodrigues Alves. “Fizeram dois ou três quarteirões de asfalto. Passou por ali o então governador de São Paulo, Fernando Costa, e deu-se como inaugurado o asfalto”, conta o historiador Gabriel Ruiz Pellegrina.
A rua Rio Branco e a avenida Duque de Caxias foram o segundo grande passo da pavimentação asfáltica em Bauru, em 1952. “Aos poucos, outras travessas foram asfaltadas”, diz Pellegrina.
“Uma coisa muito comentada na época foi a pavimentação da avenida Duque de Caxias. Foi um comentário enorme, um avanço incrível. Era a avenida mais larga da cidade”, conta Bertussi.
Em 1956, foi a vez da rua Batista de Carvalho - apenas parte dela foi asfaltada. No ano seguinte, foi a rua 1.º de Agosto - da estação de trem à rua Araújo Leite.
De acordo com Adelmo, em muitos locais, o asfalto foi implantado sobre o paralelepípedo. “É uma base sólida. Fica mais firme e mais resistente porque o paralelepípedo já está estabilizado”, expõe Bertussi.
Ele conta que o asfalto se expandiu lentamente pela cidade. O auge teria acontecido na gestão de Nuno de Assis, que fez uma licitação para 100 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica - que equivale a cerca de 150 quarteirões.
“Deu muito o que falar. Foi uma coisa grandiosa naquele tempo. Tanto é que a Câmara se revoltou. Queriam criar um impasse porque era muita pavimentação, que foi feita aos poucos. Foi como uma reforma na cidade”, observa o projetista.
Ele conta que os moradores sentiam-se orgulhosos de ter asfalto. “Porque no entorno não tinha. Foi uma coisa muito valorizada na época. A cidade ficou mais aconchegante, melhor, mais bonita”, avalia.
Delmar conta que pavimentação asfáltica era sinônimo de desenvolvimento. “Foi a época do desenvolvimento. A onda era pavimentação, água e esgoto. Ninguém fazia galeria. Pavimentavam e não queriam saber se a água iria fazer erosão ou não”, destaca.