O asfalto utilizado em Bauru nas décadas de 40 e 50 era melhor que o empregado atualmente pela administração pública municipal. A afirmação é do engenheiro Delmar Batista dos Santos, da Secretaria Municipal de Obras, e do projetista Adelmo Bertussi, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).
A informação talvez ajude a esclarecer os motivos pelos quais em determinadas ruas asfaltadas é praticamente impossível encontrar pedaços intactos de pavimento asfáltico. É o caso da alameda Cartago, no Parque Santa Edwirges. Ou de inúmeras outras ruas que pouco tempo após o calçamento apresentam buracos.
No início da pavimentação em Bauru, utilizava-se a técnica da penetração invertida. A base eram pedras de diferentes tamanhos. As maiores sobrepostas pelas menores. A camada de pedras media de 30 a 40 centímetros. Sobre elas, era colocado o asfalto, que penetrava nos vãos entre elas.
“O asfalto de penetração invertida foi o primeiro e é o melhor que existe. Ele fica mais impermeável, mais resistente”, diz Bertussi.
Um exemplo é a rua dos Andradas, na Vila Souto, que foi calçada com essa técnica e que até hoje tem aparência saudável. “Não precisa de muita manutenção. Como o asfalto é completamente impermeável, não vaza água e não se formam bolhas”, explica Santos.
Em muitos casos, o asfalto era feito sobre o calçamento de paralelepípedo. Portanto, tornava-se ainda mais resistente.
Atualmente, utiliza-se asfalto betuminoso, com pedra-asfalto e base de solo-cimento (uma mistura de terra com cimento). A base tem, em média, cerca de 15 centímetros de altura e a capa asfáltica não adere tão facilmente ao solo-cimento.
“É por isso que às vezes vemos em Bauru placas inteiras de asfalto carregadas pelas chuvas. Mas, se bem feito, o solo-cimento é ótimo”, expõe o projetista Bertussi.
Ele avalia que, atualmente, seria inviável para a administração municipal aplicar a técnica utilizada antigamente devido ao preço. O asfalto betuminoso custa, em média, R$ 32,00 o metro quadrado. O de penetração invertida custaria cerca de R$ 60,00, de acordo com Bertussi.
“Era muito mais caro e utilizava-se muito mais material. Hoje, passou-se a usar o solo-cimento também devido à dificuldade de arrumar pedras”, complementa Santos.
Paralelepípedo
Outra técnica considerada bastante resistente é o paralelepípedo. A composição de pedras de granito é mais antiga que o asfalto de penetração invertida e foi o primeiro tipo de calçamento utilizado em Bauru.
A grande desvantagem do paralelepípedo é o piso torna-se irregular devido à diferença de tamanho das pedras. “A gente acha ruim porque não tem aquela uniformidade, aquela capa lisinha. Mas tem pessoas que realmente preferem que seja assim”, comenta Santos.
Já Adelmo destaca como vantagem, além da resistência, a limitação de velocidade dos veículos. “A desvantagem é a trepidação. Mas tem muita gente que pede para não asfaltar a rua de paralelepípedo para que os carros não passem tão rapidamente”, afirma.
“No Parque Vista Alegre, por exemplo, que tem muitas declividades, o paralelepípedo também é muito melhor porque a água não o desgasta. Não tem perigo. Ele é mais resistente às intempéries. O asfalto ela desgasta”,diz.