Bairros

30% das ruas de Bauru são de terra

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Aproximadamente 30% das ruas da área urbana de Bauru ainda são de terra. Isso significa que boa parte da população do município ainda convive com os problemas decorrentes da falta de infra-estrutura básica e manutenção.

Grande parcela das ruas não-pavimentadas estão localizadas na periferia da cidade. São bairros como Jardim TV, Jardim Ferraz, Jardim Solange, Parque Viaduto, Jardim Celina, Parque São João, Quinta da Bela Olinda, Altos da Bela Vista, Vila Aviação, Jardim Nicéia, Pousada da Esperança, Parque Roosevelt, Parque Santa Edwirges e Parque Jaraguá, entre outros.

“Realmente falta asfalto, faltam guias. Certamente é mais na periferia que falta asfalto. É difícil para a prefeitura atender isso. Tem de ser através do asfalto comunitário porque a prefeitura em si não vai ter condições”, avalia Delmar Batista dos Santos, engenheiro da Secretaria Municipal de Obras (SMO).

Em alguns casos, os problemas já são críticos e crônicos na cidade. Na Pousada da Esperança, por exemplo, há apenas três quadras pavimentadas, de um total de 180. Ainda assim, faltam galerias no trecho, que sofre com inundações.

“O estado geral das ruas da Pousada continua sendo precário. São ruas sem manutenção, com muitos buracos. O buraco continua sendo o grande problema dos bairros de periferia”, diz Romildo Alves da Silva, presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança.

“A Pousada é um bairro carente e não é diferente do que ocorre em outros bairros. São problemas sérios com questão de atendimento e manutenção. A prefeitura joga caminhões de terra apenas nas ruas por onde passam os ônibus. Mas só isso”, acrescenta o morador.

A população aguarda, agora, a aplicação da verba estadual de R$ 300 mil destinada à pavimentação de algumas quadras da Pousada da Esperança 1. “Foi assinado o convênio e estamos esperando o início das obras. O prefeito comunicou que seria em breve”, destaca Silva.

Além disso, os moradores querem uma contrapartida de igual valor da Prefeitura Municipal para que sejam asfaltadas mais quadras e para que o problema seja amenizado. “O prefeito fez uma promessa de que daria a contrapartida. Segundo o prefeito, daria para asfaltar umas dez quadras”, observa o presidente da associação.

O convênio, entretanto, não atende nem 20% do bairro e beneficia apenas ruas da Pousada da Esperança 1. “O problema da Pousada 2 torna-se ainda mais grave. As distâncias são maiores. Ambulância não chega, bombeiros não chegam, polícia não chega”, afirma o morador.

No Parque Santa Edwirges, o problema é semelhante. A diferença é que há quantidade maior de quadras asfaltadas - são 122 quadras de terra e 63 asfaltadas.

Entre as pavimentadas, muitas delas já perderam grande parte da asfalto e praticamente tornaram-se ruas de terra novamente. É o caso da rua Cartago. Isso porque determinados trechos foram calçados sem galerias de águas pluviais.

“O que tem é muito pouco. Onde está asfaltado, tem trechos ruins. As ruas de terra ficam esburacadas com qualquer chuva porque o bairro é inclinado. Recebemos um volume muito grande de água de outros bairros”, diz Vivaldo Pereira Martins, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges.

Ele afirma que com freqüência reivindica à prefeitura melhorias na infra-estrutura do bairro. “Estamos reivindicando, mandando ofícios, ligando. Precisamos que o bairro inteiro seja asfaltado”, enfatiza.

Quanto ao asfalto comunitário, Martins afirma que os moradores estão dispostos a pagar, mas desde que o preço não seja alto. “A idéia é interessante, já que a prefeitura fala que não tem recursos”, avalia.

Bauru 2000

Não apenas as ruas de terra de Bauru representam problemas para os moradores. Em muitos bairros, a qualidade ruim do pavimento oferecido à população também gera contratempos.

O Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), por exemplo, foi entregue há quatro anos com asfalto em todas as ruas, Hoje, a situação do calçamento já é precária, de acordo com o morador Joel Isidoro da Silva.

“Tem ruas que estão totalmente intransitáveis. Tem muito buraco. Os moradores não conseguem passar com o carro. Não conseguem nem entrar na garagem de casa”, afirma.

Há cerca de quatro meses, os moradores do Bauru 2000 fizeram um abaixo-assinado e encaminharam à prefeitura. Mas ainda não obtiveram retorno. “Cerca de 50% das ruas estão em condições precárias, em estado de abandono”, frisa.

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