Cultura

All That Jazz

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Embora seja um gênero musical mais familiar do que se imagine no nosso dia-a-dia, o jazz ainda é uma incógnita para muitas pessoas. Primeiro há a confusão com o blues, devido à origem de ambos entre os negros americanos, depois há o conceito de que se trata de um tipo de música elitizada, idéia que se reforça cada vez mais pelo desconhecimento, o que gera um ciclo sem fim.

Mas o jazz não está longe nem é difícil como alguns podem pensar. Ele está na trilha sonora da novela das oito, no musical “Chicago”, atualmente em cartaz em São Paulo, no show que Fernanda Porto fez ontem na Cervejaria dos Monges, em alguns discos de Sinatra, Tom Jobim, Diana Krall, nos shows de algumas bandas de Bauru... Sem exageros, está em toda parte.

Uma exposição de desenhos que fica até o dia 17 deste mês no Sesi local traz mais um pouquinho de jazz para o dia-a-dia. Composta por 24 trabalhos do desenhista paulistano J.A.Poyares, a mostra tem - sem ser esse o seu objetivo principal - um certo caráter didático ao mostrar a cara dos grandes nomes do gênero em todos os tempos.

Todo mundo sabe quais eram as feições de Louis Armstrong, o mais popular músico do gênero, mas como era o rosto de Charlie Parker, o famoso Bird, levado às telas por Clint Eastwood? Ele está lá ao lado de ícones do jazz como os pianistas Thelonious Monk e Duke Ellington, o clarinetista Benny Goodman, os saxofonistas Gerry Mullingan e Dexter Gordon, entre outros.

Os gênios da música foram tomando forma com o bico de pena e o nanquim de Poyares, fã do gênero, através da técnica do pontilhismo. O resultado sugere uma simplicidade enganadora, já que a técnica - derivada dos trabalhos dos neo-impressionistas é mais complexa do que um simples preencher de espaços.

Cada desenho é complementado por uma mini-biografia do retratado que ajuda que não os conhece a ter uma referência de quem foram os homens que fizeram da sua música uma revolução cultural que está presente em todo mundo.

O jazz nasceu no início do século 20 de uma mistura do blues (a música dos escravos americanos que serviu de base para toda a música negra daquele país) com as work songs (músicas de se cantar no trabalho) dos negros, as spirituals (hinos e canções religiosas de rituais de origem africana) e do ragtime, um estilo para piano que unia o erudito com ritmos negros. Uma de suas grandes características é a possibilidade do improviso.

O termo jazz só passou a ser usado no final dos anos 10 e início dos anos 20, para descrever um tipo de música que surgia nessa época em Nova Orleans, Chicago e Nova York.

A primeira cidade é considerada o berço do gênero, já que lé surgiram as primeiras bandas (trios de solistas de trombone, clarineta e trompete).

Nessa época, despontavam nomes como Original Dixieland Jazz Band, do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly Roll Morton (que se auto-denominava “criador do jazz”), o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet.

Em em Chicago surgem os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, e, em New York, o pianista Fats Waller e o pioneiro band leader Fletcher Henderson. Até então o ritmo era tocado por pequenos grupos.

Na década de 30 começaram a surgir as grandes orquestras como as de Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e Earl Hines. Nesse período surgiu o primeiro estilo maciçamente popular do jazz, o swing, dançante, que agradava imensamente às multidões durante os anos de guerra. Depois viriam o bebop, menos popular; o hard bop - de maior nível técnico- e, nos anos 50, o cool jazz, uma proposta intelectualizada, erudita se comparada ao bebop.

O free jazz abriu espaço para inovações nos anos 60, até que no final da década o fusion permitiu o diálogo do gênero com a música latina, a Bossa Nova e o samba. Daí em diante o jazz se abriu para experimentações com o rock, o funk, o rythm’n’blues e até mesmo o rap. E assim, ele continua vivo e aberto a novas experiências.

• Serviço

“Jazz” exposição de J.A. Poyares, no Sesi de Bauru, até o dia 17 de junho. Rua Rubens Arruda, 8-50. Informações: (14) 3234-1066 ou 3223-2718.

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