O prefeito Nilson Costa (PTB) revelou ao JC que vai oferecer uma transição política-administrativa ao seu sucessor logo após a definição nas urnas na eleição deste ano. O chefe do Executivo adianta, em entrevista, que vai “abrir as portas da administração para o acompanhamento por uma equipe de transição indicada pelo escolhido da população”.
Nilson Costa também conta que vai participar da campanha de Antonio Sérgio Marsola (PPS), seu ex-chefe de Gabinete e pré-candidato a prefeito pelo grupo da situação, e quer apresentar suas realizações no programa eleitoral de TV. O prefeito adianta que, se for atacado pelos adversários vai vir a público para contestar. Leia abaixo o que Nilson Costa antecipou sobre sua participação na disputa eleitoral:
Jornal da Cidade - Qual será a participação da administração na eleição deste ano?
Nilson Costa - Desde o início eu defini que nós teríamos candidato a prefeito porque interessa que haja um julgamento da opinião pública sobre a administração. E esse julgamento só virá no momento em que nós também pudermos mostrar o que foi feito à população. Desde o início trabalhamos por isso. Começamos com a possibilidade de uma coligação com cinco partidos (PTB, PPS, PMDB, PC do B e PAN) e agora estamos reduzidos a três. Mas acho que são suficientes para representar o candidato e dizer porque ele deve ser o melhor. Por outro lado, o segundo turno é outra eleição. Na hipótese da candidatura situacionista não ir para o segundo turno, nossa participação vai depender muito da conduta das demais correntes em relação à administração.
JC - O coronel Marsola é o candidato que vai defender o governo na eleição?
Nilson - O Marsola é candidato porque nós acreditamos que ele vai ser eleito. Os números agora são meras projeções de intenções de voto, a quatro meses das eleições. Entendo que o jogo nem começou ainda, as cartas não estão na mesa e, quando estiverem na mesa, o Marsola vai levar vantagem. Em relação à eleição anterior, nós tínhamos, nessa altura, um candidato na frente com 45% das intenções e outro em segundo. O terceiro e quarto, que era o prefeito, tinha 3%. Era uma polarização também e agora se repete. O Marsola é o menos conhecido dos candidatos que estão aí. A população não tem noção exata de quem é o candidato Marsola e qual o potencial dele em relação ao desempenho futuro como prefeito de Bauru. Quando começar o programa eleitoral, o jogo muda.
JC - O que o candidato do prefeito vai mostrar no programa eleitoral de TV?
Nilson - É neste momento que vamos mostrar a imagem exata das possibilidades entre um candidato e outro. Essa polarização de momento é falsa, pois não leva em conta todos os componentes do processo eleitoral. Vamos mostrar o que foi feito.
JC - Que peso a gestão municipal terá na eleição?
Nilson - Entendo que a nossa administração fez mais do que quase todas as outras em diversos setores. Em asfalto, recapeamento, educação, saúde, meio ambiente, esportes, cultura. Se você analisar o que conseguimos no campo da cultura, verá que nós terminamos o Teatro Municipal, a valorização da Biblioteca Rodrigues de Abreu informatizada, a divisão do acesso à cultura por todos os bairros, a implantação da Banda Municipal e da Orquestra Sinfônica a caminho. Em esportes, conseguimos três títulos dos Jogos Regionais sem trazer ninguém de fora, só com o apoio ao esporte de base, aos clubes e aos esportistas em geral. Fizemos 1,2 milhão de asfalto e recape, o que não foi conseguido por nenhuma outra administração. Remodelamos o Pronto-Socorro Central e vários núcleos na periferia na área de saúde, valorizamos os profissionais. Em relação ao estudo universitário, Bauru está entre os cinco melhores do Estado, ao lado de Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto. Vamos mostrar tudo isso.
JC - Que papel o prefeito vai desempenhar na passagem do cargo?
Nilson - Primeiro, eu não acredito que essa eleição se decida no primeiro turno. São diversos candidatos, alguns com bom potencial. Vai haver uma pulverização dos votos e acredito que o candidato que tenha 25% dos votos estará no segundo turno. A partir do momento em que se deflagrar o returno, vamos conduzir o município de uma maneira de magistrado. Vamos transmitir o cargo ao vencedor nas urnas, seja ele quem for, sem nenhuma idéia de lavrar boletim de ocorrência, de contestar as urnas e de parar na polícia. Estaremos na prefeitura para receber o vencedor da eleição e desejar boa sorte.
JC - O prefeito vai realizar a transição de governo com uma equipe do candidato eleito?
Nilson - Já a partir da definição das eleições, vamos colocar toda a equipe da prefeitura à disposição do vencedor para facilitar a transição. Vamos abrir todas as secretarias, as autarquias, para que o vencedor possa se preparar para governar e bem. Não estamos na idéia de hostilizar aquele que vier a vencer a eleição, porque este terá o desejo da sociedade a seu lado. Vamos facilitar sua tarefa de comandar o município.
JC - A transição inclui o acompanhamento dos últimos meses por uma equipe do próximo prefeito a ser eleito?
Nilson - Não haverá surpresa no final do nosso mandato. O que nós estamos fazendo é procurar tocar o município com as finanças em dia. Os débitos são muito grandes e tudo isso que está pendente é herança do passado. Não somos responsáveis pela dívida do viaduto inacabado, não somos responsáveis pela dívida do Serviço de Previdência (Seprem), nós não somos responsáveis pelas demais dívidas que estão sendo discutidas. Quem assumir já vai ter condições de saber por onde começar e vai ter condições já no primeiro mês de governo de administrar com tranqüilidade. O vencedor terá à sua disposição indicar uma equipe de transição para acompanhar o governo neste final. E isso estará facilitado porque todos os secretários são radicados em Bauru, com passado e presente construídos aqui.
JC - Isso é uma alusão a forasteiros?
Nilson - Pode ser analisado assim, como um governo com gente que não tinha nenhum compromisso com Bauru, nem com as dívidas, nem com o próprio conceito pessoal. Nosso governo não. Esse pessoal terminou a participação no governo e foi embora, nunca mais se ouviu falar, e quando se ouviu falar, foram sobre complicações junto ao Ministério Público, ao Judiciário. Nós temos um secretariado formado por pessoas que têm vínculo com Bauru, têm amor à cidade e que estão e vão continuar aqui. Nenhum prefeito em Bauru enfrentou tantos problemas no relacionamento com o Poder Legislativo. Nunca retruquei, nunca ofendi, nunca maltratei nenhum vereador. Mas existe uma tendência a hostilizar o Executivo. São ações que atrapalham o desenvolvimento da cidade.
JC - Mas o senhor espera que a administração seja poupada de críticas no período eleitoral?
Nilson - Se todos estiverem contra nós, pelo menos nós teremos o nosso candidato a nosso favor, o candidato a prefeito, vice e os nossos candidatos a vereador. Cada um vai vender seu peixe ao eleitorado. Cabe ao eleitorado nos julgar. Não sou eu que vou me julgar, me dar nota dez. E também não aceito que seja julgado pelos inimigos rancorosos, os adversários. Eles não vão ter o privilégio de me dar nota. Quem vai dar nota ao prefeito no final do mandato será o eleitorado, nas urnas. Se o nosso candidato não oferecer perigo, talvez sejamos poupados, como na última eleição, porque achavam que nós estávamos totalmente fora do páreo. Se o nosso candidato crescer e vai, certamente vão investir contra ele, vão atacar.
JC - Mas o senhor vai ficar assistindo ao embate eleitoral neste ano?
Nilson - Como filiado ao PTB, a qualquer momento poderei ter acesso ao horário eleitoral gratuito do partido para dar minha mensagem de apoio e de esclarecimento. O que nós vamos defender junto ao nosso pessoal é mostrar o que foi feito de favorável e o que nós podemos fazer. E já ficou demonstrado na última eleição que aqueles que agrediram, que injuriaram, caluniaram, não tiveram sucesso. A população quer trabalho e benefícios no dia-a-dia. Adversário que perde tempo atacando, deixa de ficar junto à população e decepciona o eleitorado.
JC - Como o senhor vai evitar o uso da máquina administrativa na eleição?
Nilson - Penso o seguinte. Que a máquina na minha reeleição não foi utilizada. Falam muito que nós usamos a ponte do Mary Dota para ganhar a eleição porque inauguramos a ponte na véspera da eleição. A ponte só foi inaugurada oficialmente um ano após a eleição. Por outro lado, não foi apenas o Mary Dota que nos deu a vitória. Houve uma concentração de voto nas camadas mais humildes.
JC - Mas o uso da máquina não pode ser desprezado e vai estar com o grupo do prefeito.
Nilson - Na quarta-feira pela manhã entregamos a reforma de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) no Núcleo José Regino. Acrescentamos um ginásio de esportes coberto, sala de informática, mais quatro salas de aula. Encontramos lá um ambiente de festa. Vamos entregar outras obras até o final do ano. É isso que é a máquina, é servir a população, apresentar resultado, não é fazer coisas erradas.