Bairros

Gestante receberá tratamento alternativo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A gestante de quatro meses que teve a leishmaniose confirmada ontem receberá tratamento alternativo para evitar prejuízos ao desenvolvimento do feto. O medicamento usualmente receitado para pacientes como ela pode provocar retardo mental e malformação na criança.

“O outro (remédio alternativo) tem mais toxidade para a mãe, mas não é classificado como terotogênio (que traz conseqüências para o feto). Além disso, ela já passou do período mais crítico (o primeiro trimestre)”, explica o médico infectologista Fernando Monti, que também acompanhou outros dez casos da doença tratados no Hospital Estadual de Bauru Arnaldo Prado Curvêllo.

De acordo com ele, em princípio, a paciente não corre o risco de perder o bebê durante o tratamento, que dura cerca de 15 dias. No entanto, como naturalmente a grávida tem uma diminuição na atividade de imunidade celular (para não rejeitar o feto), o acompanhamento da doença deverá ser mais rigoroso. Para enfrentar a leishmaniose, o paciente dever ter a melhor integridade possível do sistema imunológico.

“Não tenho bola de cristal para saber a evolução dos casos, mas a gente presume que não haverá problemas. A toxidade (do medicamento) pode causar alteração na função renal, mas isso será monitorado”, informa Monti.

O tratamento adotado por ele para curar a primeira gestante de Bauru com a doença é o mesmo utilizado em Araçatuba, onde pelo menos outras duas grávidas contraíram leishmaniose. “Aqui ninguém perdeu o bebê. Também não tivemos registro de casos de malformação”, informa o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de lá, Sérgio Irikura.

Mesmo assim, a paciente de 27 anos disse estar receosa diante da possibilidade da criança apresentar algum problema. Ela procurou a Maternidade Santa Isabel no domingo retrasado quando percebeu que seu estado de saúde se agravava. A gestante, que pediu para ter o nome preservado, acreditava ter contraído uma gripe forte.

Ela, que é mãe de outras três crianças adotadas por outras famílias, quer criar o quarto filho junto com o pai, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP). Como semanalmente o visitava, ela não descarta a possibilidade ter contraído a leishmaniose enquanto aguardava para entrar no CDP, que não fica distante da Vila Dutra, área de concentração do foco.

“Ficamos do lado de fora, às vezes em barraca e às vezes não. Eu estou morando na casa da minha madrinha (no Jardim Carolina), que tem uma cachorrinha e uma gatinha”, comenta, depois de queixar-se da tosse seca e de ter vomitado após receber a medicação intravenosa.

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