A viola caipira é um dos símbolos mais marcantes da cultura popular brasileira. Presente nas rodas de catira e nas festas juninas, ela foi trazida ao País pelos portugueses, no século 16. A partir daí, se popularizou nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste como um instrumento capaz de expressar, com muita poesia, os sentimentos do homem simples do Interior.
Devido à sua importância cultural, não faltam no Brasil cantores, compositores, escritores, entre outros artistas que realizam trabalhos baseados na viola caipira. Um deles é o instrumentista paulistano Paulo Freire, que, além de tocar modas de viola, canta, compõe e escreve livros inspirados no cotidiano do povo sertanejo.
Ele ministra, ao lado do músico Levi Ramiro, um workshop sobre o assunto hoje, a partir das 15h, no Serviço Social do Comércio (Sesc). “Vou contar como foi meu aprendizado de viola. Mostrarei como ela é tocada no sertão de Minas Gerais e sua forte ligação com a natureza. A oficina não é só para os violeiros, mas também é aberta ao público interessado no mundo da viola”, diz Freire, em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade.
Além da atividade, o músico realiza um show amanhã, às 21h30, na área de convivência do clube. Juntamente com o duo formado pelo seu irmão Tuco Freire (baixo) e Adriano Busko (bateria), Freire faz uma apresentação baseada em sua trajetória musical, com antigos sucessos, como “Alvarenga e Ranchinho” e canções do novo CD, “Vai Ouvindo”.
Durante a apresentação, Freire contará algumas histórias e lendas típicas do sertão de Minas Gerais, região onde aprendeu a tocar viola caipira. “Fui para Minas em 1977 e morei em Urucuia (região norte do estado) por dois anos”, lembra. Desde essa época, o cantor - que estudou violão em São Paulo e na França - não parou mais de tocar.
“Construí meu caminho em cima da viola do sertão e nos ‘causos’ que povoam o mundo da viola. Viajo muito e gosto e escutar as pessoas e conviver com os violeiros e o pessoal do campo”, diz Freire, que atualmente mora em Campinas. “Minha característica é juntar as coisas do sertão e outras experiências”.
No início dos anos 80, Freire musicou peças de teatro e seriados de TV, como “Grande Sertão: Veredas” e criou trilhas sonoras para o programa “Globo Rural”. De 1982 a 1985, morou em Paris, onde tocou música clássica e MPB. Em 1995, realizou uma turnê de viola na Europa. Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro disco solo, “Rio Abaixo”, que ganhou o prêmio Sharp na categoria revelação instrumental.
Em 1998, Freire gravou seu segundo CD, “São Gonçalo”. Ao todo, foram cinco discos solo gravados, além de um álbum com o conjunto Ânima e outro com a Orquestra Popular de Câmara - ambos tiveram o cantor como integrante.
Paralelo ao cenário musical, Freire publicou quatro livros: os romances “O Canto dos Passos” (1988), “Zé Quinha e Zé Cão... Vai Ouvindo” (1993); “Eu Nasci Naquela Serra” (1996) - biografia dos compositores Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha; e o livro-CD “Lambe-Lambe” (2000). Além disso, foi colaborador das revistas Caros Amigos e Globo Rural, e gravou as violas para o filme “Deus é Brasileiro”, de Cacá Diegues, em 2002.
Entre seus trabalhos mais recentes, também se destaca o álbum infantil “Brincadeira de Viola”. O CD traz músicas do folclore nacional, como “Boi da Cara Preta” e canções típicas do sertão mineiro, a maioria lúdicas.
• Serviço
Paulo Freire realiza oficina de viola hoje, às 15h e show amanhã, às 21h30, no Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.