O diretor-superintendente da Tilibra, Pedro Henrique Coube, anunciou ontem que um grupo norte-americano - cujo nome não revelou - poderá se associar à empresa, uma das maiores de Bauru em volume de trabalhadores e movimentação financeira. Sua linha de produção envolve material de uso escolar e de escritório (cadernos, fichários e agendas, dentre outros). Segundo ele, as negociações estão em andamento. Informações extra-oficiais dão conta de que o negócio envolveria valores da ordem de mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 180 milhões), não confirmados pelo diretor. Porém, o negócio não é consenso entre os sócios.
Coube garante, contudo, que a transação é avalizada pela maioria dos acionistas, todos da mesma família. “Não posso falar por todos. Mas existem alguns acionistas que se sentem bastante contrariados. Enfim, o que vai valer é a decisão da maioria. É isso o que vai contar. Entendo que essa aliança seria muito positiva para a empresa do ponto de vista do crescimento, de geração de empregos para o município”, avalia.
De acordo com informações extra-oficiais, a composição acionária da Tilibra é formada por três membros: Rubem Coube (atual presidente), Olga Coube e Maria Silvia Coube. Olga e Maria Silvia, segundo especula-se, já teriam concordado com a transação. Rubem, que é contra, estaria isolado.
O diretor-superintendente prevê que até o final de julho as negociações estarão finalizadas. Diz, no entanto, que o mês será decisivo para a concretização do que chama de “parceria” com os norte-americanos. Se a transação não vingar até o final do mês que vem, a operação dificilmente avançará devido a questões comerciais no âmbito do Brasil, como o retorno das aulas do segundo semestre.
“Não há segredo para a equipe interna. Já autorizamos os nossos gerentes a comentar com suas equipes de que há interesse (na empresa) de um cliente nosso de longa data, norte-americano. Não posso revelar o nome porque é uma empresa de capital aberto, com interesses no Brasil. Não tenho autorização para declinar o nome. Essa questão é muito delicada lá nos Estados Unidos”, justifica Coube.
Ele garante que não há nada de concreto. “Existe uma intenção manifestada por eles em formar uma aliança estratégica, uma parceria. Nesse momento, eles avaliam o nosso negócio para se chegar a um consenso de quanto vale essa operação. Estamos nessa fase inicial, de estudos, namoro e avaliações. Não avançamos”, informa.
Bastidores
Durante os últimos meses, especulou-se nos bastidores do setor econômico sobre a venda total do grupo, mas Coube afirma que a família não vai dispor ao comprador norte-americano todas as cotas de ações. “Vamos nos associar. Eles têm interesse em se tornar sócios através de uma participação, de um aporte de capital”, explica, sem revelar o percentual de ações que está sendo oferecido. “Temos que entrar em acordo sobre avaliação do negócio”, complementa.
O diretor-superintendente da Tilibra diz que o interesse da parceria está calcado no atendimento à demanda do cliente nos Estados Unidos para o abastecimento do mercado interno daquele país. “A idéia é supri-los - já que eles são uma grande empresa nos Estados Unidos no ramo de papelaria - da necessidade que o mercado exige. Hoje, eles se abastecem no mercado internacional”, informa.
Coube afirma que para a Tilibra seria um ótimo negócio. “A nossa exportação ocorre num momento em que estamos na entressafra no Brasil. O ano letivo no hemisfério norte é oposto ao nosso”, conta.
Sobre as especulações de que a transação com os norte-americanos coloca em risco a permanência da empresa em Bauru, o empresário foi taxativo. “Não faz o menor sentido. Seria uma grande besteira. Nós temos aqui uma equipe muito preparada. E para se chegar nesse grau de liderança e competência, foram investidos muitos e muitos anos na formação, na cultura fabril, muito admirada por outras empresas. Não se muda uma empresa de uma cidade para outra. Não dá para levar funcionário, cultura. Temos aqui área suficiente para construir o tamanho que quisermos de novas instalações”, finaliza.
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Typografia
Maior fabricante de produtos de papelaria do País, a Tilibra foi fundada em dezembro de 1928 por João Batista Martins Coube. Na época, a empresa surgiu com o nome de Typografia Brasil.
Anos mais tarde, na década de 40, a firma individual João Martins Coube transformou-se em Typografias e Livrarias Brasil, primeira sociedade anônima de Bauru.
Nos anos 60, adotou o nome fantasia Tilibra, formada pelas primeiras sílabas das três palavras que compunham sua razão social. (Fonte: site da empresa)