Bairros

PS Ipiranga atende mais como núcleo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da prefeitura negar enfaticamente que irá transformar o Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga em Unidade Básica de Saúde (UBS), os indícios apontam para o caminho contrário. Usuários e representantes do Conselho Gestor da unidade estão revoltados com a falta de médicos para realizar os atendimentos de urgência no local. De acordo com eles, o PS tem apenas um clínico geral para cuidar de todos os casos emergenciais.

A presidente do Conselho Gestor da unidade, Miriam Vecchi Rodrigues, afirma que a situação precária do PS já se arrasta há mais de um mês. “Somente as consultas agendadas previamente estão sendo feitas normalmente”, critica.

Rodrigues diz que o atendimento emergencial está sendo cumprido de forma satisfatória apenas durante os finais de semana. Nos demais dias, segundo ela, o clínico geral responsável pelos casos de urgência tem trabalhado à noite.

A dona de casa Marli Brega conta que há uma semana precisou levar o neto de 4 anos até a unidade, quando o menino teve uma forte crise convulsiva. “Eles disseram que não tinha pediatra e fizeram apenas os primeiros socorros. Graças a Deus, um vizinho que tem condução se ofereceu para levá-lo até o PAI (Pronto-Atendimento Infantil). Se fôssemos esperar a ambulância, não daria tempo”, comenta.

Ela destaca que não se trata de um caso isolado. “Conheço vários pessoas que precisaram de clínico geral ou de pediatra e não encontraram”, relata.

Contestação

O secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab, contesta a informação de que o PS da Vila Ipiranga conta apenas com um clínico geral, ainda assim trabalhando à noite. De acordo com ele, os médicos que fazem o atendimento das consultas agendadas no período diurno também estão responsáveis pelos casos de urgência.

Em contato com o PS da Vila Ipiranga ontem à tarde, porém, a reportagem foi informada de que não havia naquele momento nenhum profissional disponível para cuidar de emergências.

Saab admite, no entanto, que a unidade não possui pediatras para atender urgências e culpa a crise que atinge o setor pelo fato. A SMS tem hoje cerca de 40 profissionais dessa especialidade, mas estima que precisaria de pelo menos mais 15.

O secretário acredita que a situação irá melhorar dentro de algumas semanas. “Os pediatras já fizeram o concurso e foram aprovados. Estamos aguardando apenas os últimos trâmites burocráticos para que possamos contratá-los”, projeta.

O PS da Vila Ipiranga já vinha enfrentando problemas com a falta de pediatras desde o final de abril. Naquela oporturnidade, a SMS anunciou que o atendimento infantil de emergência seria mantido na unidade apenas durante o dia e parte da noite. Das 23h às 7h, uma ambulância levaria os pacientes até o PAI. De lá para cá, no entanto, a situação acabou se agravando ainda mais.

____________________

Conselho Gestor

O Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga substituiu o Pronto-Atendimento Infantil (PAI) durante os sete meses em que o prédio do Centro ficou em reforma. Depois disso, a prefeitura cogitou reformar a unidade, mas a proposta foi rejeitada pelo Conselho Gestor.

O órgão temia que a restruturação do PS fosse, na verdade, uma desculpa para fechar a unidade, suspeita que foi prontamente negada pela prefeitura.

Para a presidente do Conselho Gestor do PS, Miriam Vecchi Rodrigues, a limitação do atendimento de urgência na Vila Ipiranga é uma retaliação contra a oposição do órgão à reforma. “Eles disseram que o PS voltaria ao normal, só que não mandaram mais médicos para cá”, protesta.

A Secretaria Municipal da Saúde nega, porém, que haja qualquer represália contra a unidade.

Comentários

Comentários