Economia & Negócios

Em um mês, gasolina sobe 11,79%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Desde o dia 16 do mês passado, as flutuações no preço médio do litro da gasolina comum em Bauru somaram 11,79%, já contabilizando a alta de 4,5% nas bombas anunciada anteontem pela Petrobras e que já vigora em alguns estabelecimentos da cidade. As variações das últimas quatro semanas foram constatadas pelas pesquisas de preços que estão detalhadas no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo levantamento feito ontem pela reportagem em diversos postos de Bauru, os que já aplicaram os novos preços estão comercializando o litro da gasolina por R$ 2,08, até R$ 2,09. Nestes estabelecimentos, o preço anterior era de R$ 1,99. Em contas exatas, acrescentando a alta de 4,5% sobre este valor, o novo preço deveria ser de R$ 2,0795 - o que mostra um livre arredondamento sendo feito para cima.

Nos postos em que ainda não foram feitas novas compras do combustível junto às distribuidoras, a maioria dos preços ontem era de R$ 1,99. Já para o diesel foi verificado um aumento acima do previsto. Da média de R$ 1,40 verificada até segunda-feira, o litro passou ontem para R$ 1,50 - alta de 7,14%, sendo que o previsto pela Petrobras para o diesel era de 6,4%.

Ontem à tarde, em alguns postos da cidade que mantinham o mesmo preço da última segunda-feira para gasolina e diesel, a alegação de gerentes era de que ainda estavam aguardando a palavra final da distribuidora.

“Nós não aumentamos porque a distribuidora ainda não defininiu os novos preços de custo que serão repassados para o posto. Mas quando for feita a próxima compra de estoque, ainda nesta semana, os valores vão mudar”, diz César Misael, gerente de um posto Ipiranga localizado na avenida Rodrigues Alves.

Mais uma vez, sofre o bolso do consumidor. Antes do reajuste que entrou em vigor nesta semana, para encher um tanque de 50 litros de um carro movido a gasolina gastava-se R$ 99,5 - pagando R$ 1,99 por litro. Com o novo valor de R$ 2,08, os 50 litros passarão a custar ao consumidor R$ 104,00.

“É um absurdo o litro da gasolina custar mais de R$ 2,00 e subir toda vez que alguma coisa muda lá fora (no Exterior) se o Brasil já é quase auto-suficiente na produção de petróleo. Isso é fazer a gente de bobo”, reclama a aposentada Odette Tedesco.

“É uma vergonha. Além do salário do brasileiro não ter aumento há vários anos, daqui a pouco vai ser luxo ter um carro de tão cara que vai ficar a gasolina. Eu não sei mais o que fazer, porque preciso do carro”, emenda a dona de casa Jaqueline Sanas.

ANP

De acordo com as pesquisas de preço da gasolina feitas pela ANP em Bauru nas últimas quatro semanas, no período de 16 a 22 do mês passado o preço médio nas bombas era de R$ 1,783 - sendo o mínimo de R$ 1,690 e o máximo de R$ 1,989. Nesse período, o levantamento de preços foi feito em 95 estabelecimentos, segundo consta no site da ANP e conforme especificado no início do texto.

Já no período de 6 a 12 deste mês - última atualização do site -, o preço médio de venda da gasolina em Bauru era de R$ 1,913, sendo o mínimo de R$ 1,839 e o máximo de R$ 1,999. Contabilizando a variação do preço médio do produto no intervalo de quatro semanas segundo as pesquisas da ANP, chega-se a uma alta de 7,29%.

No período de 6 a 12 de junho, o preço médio apurado pela agência no Estado de São Paulo era de R$ 1,906. Nas cidades vizinhas de Jaú e Botucatu, o preço médio aferido pela ANP na época era de R$ 1,890 e R$ 1,980, respectivamente. Os preços em torno de R$ 1,78 que vigoravam na maioria dos postos de Bauru em meados do mês de maio são justificados pelas empresas como promoções temporárias das distribuidoras.

Ontem, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Sebastião Homero Gomes, não foi encontrado para falar sobre o novo reajuste da gasolina e do diesel. O empresário Edvaldo Tuschi, que tem postos de várias bandeiras (distribuidoras), reclamava ontem que passou o dia tentando negociar reajustes mais razoáveis, sem sucesso.

“Com esse novo reajuste, os preços de custo da gasolina para os postos ficaram muito altos. Eu acho que a média deve ficar em torno de R$ 1,85 (custo), mas tem uma distribuidora que está vendendo o litro da gasolina por R$ 1,91. Fica quase impossível trabalhar desse jeito”, observa.

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Teste

Poucas pessoas sabem, mas todos os postos de combustíveis são obrigados a ter um kit que possibilita um teste simples feito na presença do consumidor para checar se está correta a dosagem de 25% de álcool anidro na composição da gasolina.

“Existe uma resolução da ANP (Agência Nacional do Petróleo) que diz que os postos são obrigados a ter esse kit e a fazer o teste se o consumidor solicitar. Se o estabelecimento se negar a fazer ou não tiver o equipamento, o consumidor pode pedir a presença da Polícia Militar para lavrar um boletim de ocorrência”, orienta o coordenador do Procon em Bauru, Sílvio Orti.

De acordo com ele, o Procon não tem nenhuma queixa registrada sobre postos sem o kit ou que tenham se negado a fazer o teste. Ontem, a reportagem solicitou a quatro postos de combustíveis que a verificação fosse realizada. Todos possuíam o kit, mas em um deles o teste não foi feito, sob a alegação (de um frentista) que somente o proprietário do posto estaria autorizado a fazer, mas ele não se encontrava no local.

“Esse teste é muito simples, rápido e importante para o consumidor, mas quase ninguém pede. Acho que muitas pessoas desconhecem isso”, observa o gerente de um posto Shell localizado na avenida Getúlio Vargas, Roberto Marcílio.

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