A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) não registrou nenhum caso de dengue contraída em Bauru neste ano. A “temporada” da doença, que vai de janeiro até o começo de junho, foi encerrada com uma redução de 100% no número de casos em relação ao total registrado no ano passado, quando 131 pessoas foram infectadas pelo Aedes aegypti.
A queda drástica é atribuída pelo coordenador do Núcleo de Controle de Vetores da SMS, Flávio Tadeu Salvador, ao trabalho de combate à doença realizado por municípios da baixada Santista, do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Espírito Santo.
“Essas regiões são consideradas as principais produtoras de dengue. Elas fizeram um bom trabalho, que se refletiu no Estado todo. Consideramos que os casos de Bauru dependem da introdução do vírus de outras cidades (casos importados). Além disso, aqui também insistimos no combate”, explica Salvador.
A boa notícia, no entanto, não pode ser comemorada sem ressalvas: um dos indicadores de infestação de larvas do mosquito no município (índice Breteau) ficou em 6,42, acima do preconizado como limite pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Cinco é o limite. A partir disso começa a ficar preocupante. Estamos festejando o resultado, mas em momento algum podemos dizer que vencemos a guerra: (vencemos) apenas uma batalha”, atenta o coordenador do Núcleo de Controle de Vetores.
Em algumas regiões da cidade, como o Jardim Brasil e a Vila Cardia, o Breteau chega a 12, segundo apuração realizada em março. Os indicadores de infestação são levantados a partir da coleta de larvas em residências e terrenos de quadras de ruas sorteadas da cidade. Elas são encaminhadas para laboratórios que confirmam se são de Aedes aegypti.
Disseminação
O fato de as larvas serem encontradas em várias regiões da cidade resulta num outro problema: quanto mais disseminadas estiverem, mas trabalhoso o processo de combate. “Posso ter 500 casos (da doença). Se estiver tudo no mesmo bairro, dá para controlar com rapidez. Quanto maior o número de bairros, maior a dificuldade”, esclarece Salvador, que lamenta a proliferação da dengue nas diversas regiões da cidade.
Em 99, os 283 pacientes contraíram dengue em apenas seis bairros. Em 2000, 2001, 2002 e 2003, os casos foram registrados em oito, 18, 27 e 40 bairros, respectivamente. Mesmo com dificuldades crescentes, o controle foi possível até agora.
“A maior incidência de dengue se dá entre janeiro e meados de junho, por causa do calor e da chuva. O fator climático é o que mais interfere. As temperaturas baixas não favorecem a proliferação. No calor, o mosquito leva 10 dias (para entrar na fase adulta). No frio, (o ovo) fica em dormência. Se eclodir, demora até 30 dias (para tornar-se adulto)”, acrescenta Salvador.
Mesmo assim, as ações de combate são mantidas até com as baixas temperaturas. Cerca de 120 funcionários ligados à SMS realizam visitas casa a casa para orientar sobre o mosquito. Também fazem o levantamento de áreas críticas – localizando e autuando proprietários de residências e terrenos com material propício para a procriação do mosquito – e promovem palestras educativas.
A equipe ainda auxilia no combate à leishmaniose, doença transmitida a cães e humanos através da picada do mosquito palha infectado. Ela atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.
Mas ao contrário da dengue, os casos de leishmaniose não param de aumentar em Bauru - são nove casos da doença neste ano - sem calcular os 15 notificados no ano passado. No ranking de leishmaniose no Estado de São Paulo, Bauru e Araçatuba, cidade que desde 99 sofre com uma epidemia da doença, empatam em número de casos.
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Queda no Estado
A Secretaria do Estado da Saúde também comemora vitória contra a dengue neste ano: de janeiro a maio foram confirmados 2.244 casos no Estado de São Paulo, 88% a menos que os 19.359 registrados no mesmo período de 2003, ano em que 95% das notificações ocorreram nos primeiros cinco meses.
Embora a maior incidência da dengue ocorra no verão, quando as chuvas são mais freqüentes e a água fica concentrada nos quintais, ruas e terrenos abandonados, a secretaria mantém ações de combate à doença de janeiro a dezembro.
“Temos de manter vigilância permanente. Não podemos dar trégua ao mosquito”, reitera o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.
De acordo com ele, a cidade que mais concentra casos neste ano no Estado é Potim, no Vale do Paraíba, com 557 registros. (Da Redação)