A Polícia Federal realizou ontem à tarde uma blitz em três bingos de Bauru, que mantiveram as portas abertas mesmo após a “visita” surpresa solicitada pelo Ministério Público Federal. As casas continuaram funcionando porque apresentaram decisão judicial autorizando a realização dos jogos.
No entanto, enquanto os documentos eram checados nos bingos Plaza, Royal e Cidade, o sorteio dos números foi interrompido e provocou apreensão de funcionários e freqüentadores. “Dá um nó na garganta (a fiscalização). Sou pai de família e já fiquei três meses parado (quando vigorava a Medida Provisória 168)”, relembra um vendedor de cartelas, que pediu para ter o nome preservado.
Ele quase perdeu o emprego em fevereiro, depois que a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o fechamento das casas em todo o País. Em maio, o Senado derrubou a MP.
“Ainda bem que voltou. Venho todos os dias aqui tentar salvar a minha vida”, também comemorava ontem o desempregado Darcy Ferreira da Silva, que confessa perder dinheiro com o jogo.
Enquanto ele continua apostando na sorte, o Ministério Público Federal (MPF) dá prosseguimento ao procedimento instalado para investigar a regularidade dos bingos.
O procurador da República Pedro Antônio de Oliveira Machado solicitou a diligência da Polícia Federal porque recebeu informações dando conta de que haviam sido cassadas as liminares apresentadas pelos estabelecimentos de Bauru para continuar de portas abertas.
“Nós prezamos trabalhar dentro da lei. Só nós sabemos o que passamos (com o fechamento das casas)”, diz a funcionária do Bingo Plaza Alessandra Seixas Ferreiras, ao mostrar liminar obtida pela Liga Regional de Futebol de Bauru, que garantiu a manutenção dos sorteios.
Sem identificar irregularidades, o delegado da Polícia Federal Renato Casarini classificou a fiscalização como rotineira.