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Dada a largada


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No período de 10 a 30 de junho, todos os partidos políticos deverão realizar suas convenções eleitorais, onde serão definidos os seus candidatos a prefeito, vice-prefeito e a chapa de vereadoras e vereadores. Além disso, estarão sendo definidas as possíveis coligações entre os partidos. Antes desse prazo legal, muitos partidos buscaram antecipar essa discussão, por meio das pré-convenções, no sentido de apresentar à sociedade aqueles que serão os seus candidatos, e assim, dar início informal às suas campanhas. Campanhas estas, que oficialmente só poderão ser iniciadas a partir do dia 6 de julho, mas que já estão nas ruas, em meio aos debates e às discussões que se estabelecem na busca de soluções para os diversos problemas da administração municipal.

Nós vamos viver um processo eleitoral inédito. Pela primeira vez, essas eleições serão realizadas em meio a uma grande mudança política que ocorreu no País - simbolizada pela ascensão ao poder de um partido de esquerda e de origem popular. Mais do que isto, nós tivemos o prazer de assistir a um processo de transição inédito, que consolidou ainda mais os ideais democráticos pelos quais muitos de nós lutamos. Tudo isso cria condições para que, de uma forma inédita - espero eu, e trabalharei para isso - se estabeleça uma discussão bastante aprofundada dos problemas reais, criando alternativas viáveis para a melhoria da qualidade de vida do cidadão paulistano.

Não é de hoje, que existe um evidente desencanto da população com a prática política. Não precisamos nem recorrer às inúmeras pesquisas que demonstraram este descontentamento. Basta andar na periferia de São Paulo, ou qualquer outro lugar, para se deparar com a incredulidade em relação ao debate que se fará e sobre os possíveis benefícios que resultarão dele. Temos que reverter isso, independentemente de uma ou outra colocação partidária; ou das candidaturas individuais. Há de se fazer um exercício no sentido de incluir a população neste debate, para que esta volte a acreditar na atividade política provocando o exercício da condição democrática, tão arduamente conquistada. Para tanto, precisamos trazer a sociedade civil organizada para a discussão. O exercício da cidadania extrapola o período de eleições, e se perpetua no dia-a-dia de cada indivíduo; na sua luta diária por melhores condições nas áreas de educação, saúde, transporte, habitação, saneamento e etc.

Isto significa que precisamos diminuir a distância entre o cidadão e a administração pública, ou melhor, administrar junto com a sociedade, para que esta participe ativamente das discussões, nas quais será a protagonista e não meramente coadjuvante.

É certo que não conseguiremos esta mobilização falando simplesmente da sua necessidade, mas sim comprovando por meio do debate propositivo, que não seja mera peça de ficção; que não se concentre apenas nos esforços retóricos; que não seja simplesmente exercício de discursos inflamados; mas que simbolize, acima de tudo, o esforço de buscar soluções para os problemas crônicos que afetam a vida do paulistano. Este será um momento para avaliarmos cada uma das propostas que serão apresentadas, a fim de verificar se são exeqüíveis, de qualidade e aplicabilidade compatíveis à realidade do erário.

A sociedade deve, durante o mandato do candidato eleito, acompanhar a implantação destas propostas, fiscalizando suas atividades como legítimo representante do povo. Tenho testemunhado isso. Quando se estende uma mão limpa, competente e correta, a população não hesita em responder prontamente. O nosso povo é um povo de fé. Por isso, é que quero fazer este apelo e assumir desde já o compromisso, de fazer deste momento eleitoral uma oportunidade de discutir claramente os problemas cotidianos do povo da nossa cidade. Desse modo, consolidaremos, ainda mais, o caminho da democracia brasileira.

O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual pelo PPS-SP e engenheiro civil.

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