Adolescentes alunos do Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) de Bauru tiveram ontem a primeira aula do Estado do projeto “Urologista Cidadão”. O programa, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seads), tem o objetivo de levar orientação sexual e informações sobre gravidez e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis para crianças e adolescentes.
O projeto será lançado oficialmente na segunda-feira, em cerimônia no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Capital. Na região de Bauru, a previsão é de que as palestras com urologistas voluntários alcancem mais de 3 mil crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos.
De acordo com o médico Aguinaldo César Nardi, presidente da SBU, o projeto-piloto do “Urologista Cidadão” foi iniciado em Bauru justamente para que os coordenadores pudessem conhecer a dinâmica das palestras antes do lançamento estadual. “Já fizemos apresentação e explicação do projeto para pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, que vão do agendamento e a preparação dos eventos. Hoje (ontem), eu estou no Cips para falar pela primeira vez aos adolescentes”, diz.
A diretora regional da Seads, Maria Moreno Perroni, ressalta que também já foram realizadas reuniões com gestores de assistência social e as entidades executoras de projetos com crianças e adolescentes, para explicar o funcionamento do programa. “Como o Cips abriga o maior número de adolescentes em trabalho, começamos as aulas por aqui. A partir de agora, vamos começar a agendar com as outras entidades, e posteriormente, com escolas e outras instituições”, comenta.
A assistente social do Cips Marilúcia Mauad, observa que os adolescentes já demonstravam a necessidade de receber informações sobre sexualidade. “Eles têm bastante liberdade com os instrutores e esperamos que esse diálogo aberto continue para que, depois da palestra, o assunto continue sendo discutido e as dúvidas sejam sanadas”, aponta.
A palestra do urologista tem cerca de 30 minutos e é seguida de um vídeo produzido especialmente para o projeto e de espaço para perguntas da platéia. As crianças e adolescentes ainda recebem cartilhas informativas, na tentativa de iniciar e incentivar a discussão do assunto com a família.
Assunto complicado
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que um jovem se infecta com aids no mundo a cada 14 segundos. Nardi destaca ainda uma pesquisa da Unesco que aponta que os meninos e as meninas do Estado de São Paulo iniciam sua vida sexual, respectivamente, aos 14 e 15 anos.
“O principal objetivo do projeto é deixar os adolescentes à vontade, para tratar o sexo de maneira séria e responsável. Sexo ainda é um assunto complicado de abordar, com qualquer pessoa que seja. Mas é necessário e importante”, comenta.
Um tanto constrangidos no início da palestra, os alunos do Cips conseguiram se divertir e ainda tiraram algumas de suas dúvidas. Daiane Cesário Martins, 15 anos, comenta que conversa com sua mãe sobre suas dúvidas, porém acha importante o projeto colocar os jovens em contato com um médico que possa responder as perguntas.
Diego Leandro de Souza Biazon, 16 anos, também diz ter liberdade para conversar sobre sexo em casa. “Mas eu tenho um pouco de vergonha de falar sobre tudo com minha mãe. Para um médico, acho que ninguém fica com vergonha de perguntar nada, e ele pode responder as coisas corretas, matar todas as dúvidas que a gente possa ter sobre qualquer assunto ou doença”, diz.
Na opinião de Fernanda Patrícia Fidelis, 16 anos, é interessante que os meninos e as meninas fiquem juntos durante a palestra e também no momento das perguntas. “Todos têm dúvidas diferentes e um ouvindo as perguntas dos outros, todo mundo pode aprender. As meninas aprendem também sobre os meninos e vice-versa”, conclui.